
De acordo com dados do Ministério da Saúde, entre os anos 2000 à 2023, o total de 1.993 indígenas perderam a vida em acidentes de trânsito.
Este número alarmante representa um aumento de 67% nas últimas duas décadas, com 951 mortes registradas entre 2011 e 2020, superando até mesmo os óbitos causados por doenças virais.
Em várias dessas comunidades, o consumo de álcool está diretamente ligado a incidentes como atropelamentos e outros acidentes.
“O alcoolismo dá início a uma série de violências, inclusive os atropelamentos“, afirmou Neoli Kafy Ryque, coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena do Litoral Sul.
A situação fica ainda pior pela precariedade da infraestrutura nas regiões mais afetadas, como nas terras indígenas no Amazonas e em Mato Grosso do Sul.
“O álcool afeta os indígenas de forma letal, expondo jovens ao consumo abusivo e desencadeando violência interpessoal, até suicídios”, acrescentou o epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz.
Muitos desses acidentes acontecem em rodovias mal sinalizadas e sem as mínimas condições de segurança.
Fatores que contribuem para acidentes de trânsito
A falta de iluminação, sinalização e redutores de velocidade nas rodovias é um dos principais fatores que contribuem para os acidentes nas vias.
A alta taxa de alcoolismo também surge como um agravante, com o uso excessivo de bebidas alcoólicas, particularmente em comunidades à margem de rodovias, aumentando a vulnerabilidade tanto dos motoristas quanto dos pedestres indígenas.
No Amazonas, onde rodovias como a BR-317 cortam terras indígenas, as autoridades enfrentam desafios constantes.
Em 2024, por exemplo, moradores bloquearam rodovias em protesto pela falta de segurança, pedindo medidas como lombadas eletrônicas e faixas de pedestres, ainda não implementadas.
“A abertura de estradas representa uma nova forma de colonização, uma mudança cultural e o surgimento de vícios e problemas sociais,” destacou Daniel Munduruku, escritor e líder indígena.
O impacto das rodovias no cotidiano dessas populações é histórico e continua a gerar perdas irreparáveis.
A rodovia atravessa territórios tradicionais e impacta diretamente as condições de vida das populações indígenas, que muitas vezes vivem à beira das estradas, sem acesso adequado à saúde, educação ou segurança.
A construção e duplicação dessas rodovias, como parte dos projetos de infraestrutura do governo, continuam sendo motivo de tensão, especialmente quando não há consulta prévia às lideranças locais.


