
Entre 2024 e 2025, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) contra o crime organizado, deflagrou mais de dez operações voltadas ao enfrentamento de esquemas de corrupção, fraudes contra a administração pública e crimes de grande impacto social.
As ações envolveram desde investigações locais até operações interestaduais realizadas em cooperação com outros Ministérios Públicos e órgãos de segurança. Entre os principais alvos das investigações estiveram esquemas de desvio de recursos públicos, tráfico interestadual de drogas, exploração sexual de adolescentes e fraudes bancárias.
Segundo o promotor de Justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado (Caocrimo-Gaeco), Leonardo Tupinambá do Valle, a atuação integrada tem sido essencial para ampliar a capacidade investigativa e garantir resultados concretos no enfrentamento a organizações criminosas.
“O Gaeco é um grupo especial de combate ao crime organizado e atua não apenas na repressão, mas na prevenção ao crime organizado e atividades ilícitas especializadas, identificando, investigando, prevenindo e reprimindo ilícitos praticados por organizações criminosas no Estado do Amazonas”, destacou.
Operações contra corrupção e desvio de recursos públicos
Entre as ações de destaque está a operação Joeira, deflagrada em novembro de 2024, que investigou uma associação criminosa composta por policiais e civis suspeitos de utilizar a estrutura de segurança pública no interior do Amazonas para cometer diversos crimes. A investigação apontou práticas como furto qualificado, falsidade ideológica, peculato e corrupção passiva, além do possível recebimento de “rachadinhas”.
Já em 2025, a operação Face Oculta investigou um esquema semelhante na Câmara Municipal de Manaus. A apuração indicou que um vereador obrigava servidores comissionados a devolver parte dos salários recebidos, em um sistema de “rachadinha”. Durante a ação, foram apreendidos cofres contendo grandes quantias em dinheiro, além de documentos e equipamentos eletrônicos.
Outro caso relevante foi a operação Metástase, que apurou fraudes e direcionamento de licitações em contratos da área da saúde pública estadual. A investigação apontou uma possível atuação de agentes públicos e empresários em um esquema de desvio de recursos envolvendo unidades de saúde e empresas contratadas pela administração pública.
Combate ao crime organizado e tráfico de drogas
No enfrentamento direto a organizações criminosas, uma das principais ações foi a operação Véu de Areia, que investigou uma organização criminosa interestadual envolvida com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. A ofensiva resultou na denúncia de 11 pessoas e no bloqueio judicial de 18 imóveis e valores que ultrapassaram R$ 10 milhões.
A atuação integrada também marcou a operação Custos Fidelis, realizada em parceria com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que investigou um esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma facção criminosa, que utilizava empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos. Ao todo, foram cumpridos dezenas de mandados judiciais em diferentes estados e determinado o bloqueio de valores milionários.
Investigações no interior do Amazonas
O Gaeco também atuou em investigações envolvendo crimes no interior do estado. A operação Parlatórium, realizada em Itamarati, investigou um esquema que utilizava a Câmara Municipal para obter empréstimos fraudulentos em instituições bancárias, por meio da utilização de documentos e procurações emitidas em nome de pessoas que desconheciam as operações financeiras.
Já a operação Aurora foi deflagrada para investigar uma organização criminosa suspeita de explorar sexualmente adolescentes em áreas próximas a garimpos ilegais na região do Rio Madeira, no sul do Amazonas. A investigação aponta a atuação de um grupo estruturado que aliciava vítimas e promovia sua exploração em estabelecimentos flutuantes.
Outras investigações
Além das operações principais, o Gaeco também prestou apoio a outras ações investigativas conduzidas por diferentes promotorias e Ministérios Públicos, como nas operações Militia e Militia 2, além de outra que resultou na prisão de uma advogada flagrada com cerca de 10 quilos de cocaína — caso que, posteriormente, teve desdobramentos na esfera judicial.
De acordo com a promotora de Justiça e membro do Gaeco, Priscilla Carvalho Pini, a articulação institucional é um dos pilares da atuação do grupo.
“O Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado também acompanha o intercâmbio de informações com órgãos de inteligência, além de participar de reuniões e encontros do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas, visando sempre ao melhor desempenho das funções”, afirmou.
Para o MPAM, o conjunto das operações demonstra o fortalecimento da atuação estratégica contra organizações criminosas no estado. O trabalho do Gaeco envolve a responsabilização penal dos envolvidos, medidas de bloqueio de bens, apreensão de valores e desarticulação financeira das organizações investigadas.
O trabalho segue em andamento em diversos casos, muitos sob segredo de Justiça, com o objetivo de aprofundar a apuração dos fatos e responsabilizar todos os envolvidos.


