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Ormuz é impasse no negociação entre Irã e Estados Unidos

As primeiras negociações diretas entre Estados Unidos e Irã desde a Revolução Islâmica de 1979 tiveram início com um obstáculo pela frente: o Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária — exército ideológico do regime teocrático iraniano — ameaçou os navios militares que transitarem pelo canal marítimo por onde passam 20% do petróleo produzido no planeta.

“Qualquer tentativa de navios militares de passar pelo Estreito de Ormuz será enfrentada severamente. A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica tem plena autoridade para gerir o Estreito de Ormuz de maneira inteligente”, afirmou o comando naval da Guarda, segundo a emissora estatal IRIB. Foi uma resposta ao Comando Central dos EUA, que teria enviado dois navios de guerra e atravessado o Estreito de Ormuz para desativar minas navais instaladas por Teerã. 

O vice-presidente americano, J.D. Vance; o enviado especial da Casa Branca ao Oriente Médio, Steve Witkoff; e o genro de Donald Trump, Jared Kushner estiveram sentados frente a frente com membros da comitiva iraniana, liderados pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi. A reunião, no luxuoso Serena Hotel, em Islamabad, conta com a presença de membros do alto escalão do Paquistão.  

À tarde, a televisão estatal iraniana anunciou que houve duas rodadas de conversas e que uma terceira ocorria, provavelmente esta noite ou neste domingo (12)”. “As negociações avançam na direção certa, e o ambiente geral é cordial”, garantiu uma fonte do governo paquistanês à agência France-Presse. Mais cedo, Donald Trump demonstrou desprezo pelo possível fracasso das negociações. “Cheguemos ou não a um acordo, tanto faz para mim. O motivo é que nós vencemos. Estamos em negociações muito profundas com o Irã. Vencemos de qualquer jeito. Nós os derrotamos militarmente”, declarou o presidente americano. 

Ex-embaixadora do Paquistão nas Nações Unidas, no Reino Unido e nos Estados Unidos, Maleeha Lodhi disse ao Correio que “seria irrealista esperar qualquer avanço rápido nas negociações entre os EUA e o Irã”. “As posições dos dois lados permanecem muito distantes. Mas é um desenvolvimento positivo que os dois lados continuem a dialogar, pois sabem que retomar a guerra não é uma opção viável”, avaliou, em entrevista pelo WhatsApp.”Ao menos as conversas serviram como um quebra-gelo, o que traz a esperança de um engajamento sério na busca de um caminho para uma solução diplomática.”

Controvérsias

Lodhi admitiu que o status quo e a retirada de minas do Estreito de Ormuz são pontos cruciais e extremamente controversos nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã. “Segundo relatos, o assunto foi discutido, mas nenhum acordo foi alcançado devido às visões conflitantes sobre sua gestão futura”, observou a ex-diplomata. 

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, assegurou que deseja um acordo de paz com o Líbano “que perdure por gerações”. “O Líbano veio até nós para iniciar negociações diretas. (…) Eu estabeleci duas condições: queremos o desarmamento do Hezbollah e um verdadeiro acordo de paz que perdure por gerações”, declarou, em pronunciamento transmitido em rede nacional de televisão. Autoridades israelenses e libanesas se encontrarão, na próxima terça-feira, em Washington, para debater um possível cessar-fogo. 

O chefe de governo israelense também garantiu que a operação militar conjunta com os Estados Unidos contra o Irã foi um sucesso. “Conseguimos destruir o programa nuclear e destruir o programa de mísseis”, disse. Segundo Netanyahu, os bombardeios também enfraqueceram os dirigentes iranianos e seus aliados regionais. Os ataques a supostas posições do movimento fundamentalista xiita prosseguiram no sul do Líbano. As Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram que atingiram mais de 200 alvos do Hezbollah entre sexta-feira e sábado. 

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