Em entrevista a revista Veja deste fim de semana, o ministro da Economia revela que houve um movimento orquestrado entre governadores, ministros do Supremo e a Câmara dos Deputados para tirar Bolsonaro da Presidência. A conspiração tinha um cronograma de dois meses para um impeachment

“Paulo, pelo amor de Deus, sai daí. Salva a sua biografia. O presidente vai cai cair. Mais dois meses, ele vai estar no chão. O Supremo vai fazer isso…”, disse o governador de São Paulo, João Dória, para o ministro da Econonmia do governo do presidente Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, em meio a pandemia do coronavírus.
A revelação é do próprio ministro em entrevista na revista Veja desta semana. “O negócio é incompreensível”, disse Guedes, emendando: “João, você está louco? Vai governar São Paulo, rapaz. Deixa de ser maluco”.
Para o “Posto Ypiranga” de Bolsonaro, por trás do movimento de Doria havia um claro processo em marcha com dia a hora marcada para despejar o presidente do Alvorada e do Planaldo.
“Houve, sim, um movimento para desestabilizar o governo. Não é mais ou menos, não. Tinha cronograma. Em sessenta dias iriam fazer o impeachment. Tinha gente da Justiça, tinha o Rodrigo Maia, tinha tinha governadores envolvidos”, afirmou Guedes confirmando a ligação do govenador de São Paulo.
“O João Doria me ligou e disse assim: Paulo, é a chance de salvar a sua biografia. Esse governo não vai durar mais de sessenta dias. Faz um favor? Se salva”, revelou o ministro da Economia que depois do contato ligou para cada um dos ministros do Supremo para tentar entender o que estava acontecendo.
“Conseguimos desmontar o conflito ouvindo cada um deles. O ministro Gilmar Mendes, por exemplo, sugeriu que o governo deveria dar um sinal, caso estivesse realmente interessado em pacificar as relações. A demissão do Weintraub foi uma sinalização. Liguei também para o ministro Barroso e para o ministro Fux”, informou Paulo Guedes.
]’Me sinto atravessando um rio no lombo de um monte de jacaré. Toda hora pulo de um jacaré para o outro. Aí, de repente, vejo os críticos jogando pedra. Eu pulando de um jacaré para o outro, e os caras vendo se me derrubam para o jacaré me comer”, finalizou expondo um certo desconforto no ambiente político de Brasília.


