Estudo analisou 3.318 vídeos de 50 perfis brasileiros durante seis meses após o primeiro caso da doença no Brasil e constatou que parte deles ainda ganha dinheiro da plataforma.

Um estudo da Unicamp que analisou 3.318 vídeos de 50 canais brasileiros do YouTube aponta que produtores de conteúdo que espalham informações falsas sobre a covid-19 driblam políticas de moderação da plataforma para lucrar com monetização e anúncios.
A pesquisa, feita em parceria com Institute for Globally Distributed Open Research and Education e com a Universidade da Califórnia, concluiu que 41% dos vídeos que mencionaram a covid nos seis meses após o primeiro caso confirmado no Brasil desinformaram a audiência sobre a doença.
Os conteúdos analisados foram publicados entre 26 de fevereiro de 2020 a 26 de agosto do mesmo ano.
Em maio de 2022, portanto cerca de dois anos após as postagens, parte destas publicações de fake news sobre a doença ainda recebia monetização do YouTube.
Por meio de nota, a empresa afirmou que remove os conteúdos que violam as regras o mais rápido possível.
Para isso, usa uma combinação de pessoas e aprendizado de máquina para identificar vídeos possivelmente problemáticos em grande escala.
“Também contamos com a ajuda da comunidade do YouTube e de especialistas do programa Revisor Confiável para identificar esse tipo de conteúdo e nos informar diretamente”, afirmou a plataforma.
Segundo a pesquisa, do total de vídeos analisados, 53% mencionaram o coronavírus. Os conteúdos foram publicados por 27 canais, dos quais:
- 14 são perfis de teorias da conspiração que discutem tópicos relacionados à saúde,
- 11 são canais de saúde alternativa que adotam diferentes teorias da conspiração quando é conveniente para seus interesses,
- 2 são da mídia tradicional.
Combate
O YouTube anunciou, ainda em 2020, que combateria conteúdos falsos sobre a covid-19. Em abril do mesmo ano, a política da plataforma derrubou quatro vídeos do presidente Jair Bolsonaro (PL) em que ele falava sobre remédios sem eficácia contra covid.
Porém, dos 719 vídeos apontados pela Unicamp que desinformam sobre a doença, 531 são monetizados pelo Programa de Parceria do YouTube, com anúncios de 516 marcas, o que inclui empresas que promovem campanhas de conscientização sobre as vacinas.
Estes 531 vídeos monetizados estão hospedados em 24 canais. Os pesquisadores verificaram que, em maio deste ano, 2022, 20 deles ainda recebiam monetização YouTube, que removeu apenas seis dos vídeos que continham desinformação sobre a doença.


