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Piratas disfarçados de polícia fazem falsa blitz e atacam nos rios do Amazonas

Bandidos usando lancha adesivada da polícia interceptam embarcações e agridem tripulantes, mulheres e crianças

Os piratas dos rios do Amazonas voltaram a atacar nas últimas 24h fazendo novas vítimas. Em lanchas potentes, com motores de 300 HP, eles interceptaram comboios de balsas com empurradores para roubar a carga de combustível, que abastece municípios do interior do estado com acesso apenas fluvial.

No Rio Madeira, na localidade do Seringal do Goiabal, os bandidos foram recebidos a bala pela segurança armada da embarcação, na madrugada de ontem (11). Na troca de tiros, a cabine do comandante do empurrador teve os vidros estilhaçados e a lateral atingida pelos disparos.

“Uma madrugada de terror, os piratas querendo invadir e os seguranças meteram bala. Ficou só as marcas das balas. Foi quase uma hora de terror. A situação do Madeira tá ficando crítica”, disse um dos tripulantes (veja o vídeo acima).

Em outro ataque, na região do município de Japurá, os bandidos conseguiram interceptar e subir a bordo do empurrrador que conduzia a balsa com combustível e fizeram a tripulação de refém.

Numa lancha caracterizada com adesivo da polícia e mascarados, eles barbarizaram as vítimas agredindo mulheres e crianças que estavam na embarcação.

“Eles queriam coisas que eu não tenho. Quatro armas em cima de mim. Muita gente passando mal, minha mulher e meu neto desmaiaram”, disse o comandante do empurrador.

Ainda segundo ele, em vídeo exibido (assista) no programa Manhã de Notícias, da Rede Tiradentes, hoje de manhã (12), os bandidos levaram tudo, queriam mais e ameaçaram voltar.

“Levaram tudo que a gente tinha. Perdemos tudo que a gente contruímos em 50 e poucos anos, deram chute na cara, chutaram minha costela, bateram na cabeça, nossos parceiros apanharam muito e eles ainda falaram que vão voltar para acabar com a gente”, disse o comandante.

Investigação

A pirataria nos rios Madeira, Amazonas e Solimões já deram prejuízo de R$ 40 milhões nos últimos dois anos as transportadoras e coloca em risco o desabastecimentos não só municípios amazonenses, como estados vizinhos como Rondônia, Para e Acre, que dependem da navegação das balsas para levar gás, diesel e gasolina.

A situação chegou ao ponto em que as empresas seguradoras tem evitam fazer o seguro do segurar as cargas transportadas.

Lanchas rápidas com giroflex e homens vestindo uniformes da Marinha ou das policias Civil e Militar tem sido a nova estratégia usada pelos assaltantes para interceptar os comboios.

No último final de semana, um grupo de policiais militares foi preso próximo a Japurá,. Eles utilizavam duas lanchas rapidas da Secretaria de Segurança do Amazonas (SSP-AM), com as mesmas características das utilizadas nos ataques contra as embarcações (motores potentes de 300 HP).

Os PMs apresentaram uma ordem de serviço (O.S) falsa para justificar a presença suspeita na região, denunciada por moradores que desconfiaram da movimentação do grupo na madrugada. A missão fake seria na verdade uma investidada contra balsas e dragas de garimpeiros que atuam em Japurá.

Policiais que participaram da prisão, relataram que os PMs roubam ouro e extorquem garimpeiros naquela região usando as lanchas da SSP-AM.

Na semana passada, a população de Japurá revoltada prendeu três suspeitos de pirataria no porto da cidade. Um foi amarrado, torturado e queimado vivo, outro foi jogado dentro do rio e um terceiro retirado das mãos dos agressores e levado par a delegacia da cidade, que foi sitiada pelos moradores, que queriam fazer justiça com próprias mãos.

Os ataques dos piratas não se restringem ao roubo de combustíveis, de balsas e empurradores. Eles também atacam grandes carregamento de maconha e cocaína, que saem do Peru e da Colômbia, e entram no Brasil pelo Rio Solimões.

No último dia 6, um desses ataques acabou em confronto com traficantes que reagiram dispararando suas armas, no Rio Solimões, na altura do município de Tonantins, a 800 km de Manaus.

Segundo o investigador da Polícia Civil amazonense, os criminosos estavam armados com fuzis, metralhadoras, lançadores de bombas e granadas.

Um dos braços da organização tem base em Coari, a 640 km da capital amazonense. É no município que eles escondem as lanchas, armas e drogas apreendidas. Também é de onde se prepararam para as investidas contra navios de passageiros e de cargas.

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