
A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para apurar um possível desvio de verbas envolvendo o São Paulo Futebol Clube. A investigação é conduzida pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), corre em segredo de Justiça e foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública do Estado nesta segunda-feira (22).
As suspeitas envolvem negociações de atletas formados nas categorias de base do clube, com foco em valores considerados abaixo do mercado em transações recentes. Mesmo sem divulgação oficial de nomes, dirigentes do São Paulo e empresários de jogadores são alvos da apuração.
Segundo informações, investigadores afirmam possuir “elementos contundentes” que sustentam as suspeitas. A Justiça autorizou a quebra de sigilos bancários de alguns investigados, incluindo, conforme relatos preliminares, um dos agentes esportivos mais influentes do futebol mundial. Os indícios apontam que as movimentações financeiras não se restringiriam apenas às contas dos suspeitos, mas também de pessoas próximas.
O inquérito é conduzido pelo delegado Tiago Correia, o mesmo responsável pela investigação do caso “Vai de Bet”, que envolveu a antiga patrocinadora do Corinthians. Paralelamente, o São Paulo também é alvo de uma apuração do Ministério Público de São Paulo (MPSP) sobre uma suposta venda irregular de camarotes do estádio Morumbis.
Em razão desse outro processo, foram afastados Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto das categorias de base, e Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do clube. O MPSP avalia a possibilidade de unificar as investigações. Em ambas as frentes, o São Paulo é tratado formalmente como vítima.
Em nota, o clube afirmou não ter conhecimento de investigação em andamento. “O São Paulo Futebol Clube informa que ainda não tem conhecimento de qualquer investigação em curso. Ainda assim, o clube se coloca à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades, assim que formalmente citado”, informou.
O caso dos camarotes veio à tona após a divulgação de áudios nos quais Douglas Schwartzmann admite que ele, Mara Casares e outras pessoas teriam obtido ganhos financeiros com a venda irregular de ingressos de camarotes do Morumbis.
Nos áudios, Schwartzmann afirma que Mara Casares recebeu do superintendente Márcio Carlomagno um camarote, posteriormente utilizado para a venda de ingressos do show da cantora Shakira, realizado em fevereiro. Carlomagno é apontado como aliado próximo do presidente Julio Casares.
Ainda segundo as gravações, o camarote 3A teria sido repassado a Rita de Cássia Adriana Prado, apontada como intermediária do esquema. A estimativa é de que apenas esse espaço tenha gerado cerca de R$ 132 mil em faturamento.
Outra frente da investigação da Polícia Civil apura saques em espécie realizados a partir das contas do clube e depósitos feitos para dirigentes durante a gestão de Julio Casares. Essas movimentações, que ultrapassariam R$ 10 milhões, são atribuídas por integrantes do clube, em conversas reservadas, a pagamentos de prêmios ou “bichos”.
Até o momento, não há indícios de envolvimento do crime organizado. O inquérito teve início a partir de desdobramentos das investigações do caso Vai de Bet e segue em andamento.


