
Enquanto carros funerários faziam fila do lado de fora do cemitério Parque do Tarumã para enterrar as vítimas fatais do coronavírus em covas coletivas rasas cobertas por pás-carregadeiras, no calçadão da Ponta Negra, a menos de dois minutos dali, centenas de pessoas viviam um dia de feriado como outro qualquer indiferentes aos riscos da covid-19 e da recomendação do distanciamento social.

Apesar de decreto governamental restringir a aglomeração de pessoas e limitar o trânsito de pessoas no local, a Praia da Ponta Negra teve um movimento atípico para um dia de Estado de Calamidade Pública. Pais com os filhos, adultos, crianças, jovens e idosos se exercitavam, caminhavam ou passeavam livremente afrouxando o isolamento social sem serem incomodados pela polícia ou a guarda municipal.

Durante a semana, a prefeitura havia reduzido a iluminação e reforçado a segurança com agentes municipais e tomado outras medidas para evitar a concentração de pessoas na área, que está com o comércio fechado e as linhas de ônibus suspensas. Mesmo assim os estacionamentos estavam cheios durante a tarde desta terça-feira, 21, Dia de Tiradentes.

“Meu Deus, o povo não lê notícias não. O cemitério está com fila pra enterrar e Ponta Negra lotada hoje. Olha só de carro estacionado. Ainda agora vi um vídeo com os cachões sendo enterrados por um trator. Os coveiros não dão mais conta eo povo brincando”, disse uma moradora da orla da Ponta Negra, perplexa com o movimento com o grande número de pessoas no local.


