
A poluição visual de Manaus, com mais de dois milhões de habitantes e considerada a capital da Amazônia, virou alvo da prefeitura da cidade. Sem falar dos penduricalhos espalhados pelos postes, passarelas e viadutos da cidade, os quilômetros de cabos e fios das ligações elétricas e de tv e internet deixam um cenário desolador na capital amazonense.
Para tentar mudar essa imagem, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) faz estudos técnicos para começar a alterar essa paisagem pelo Centro Histórico, onde são realizadas obras de recuperação e e construção do complexo de São Vicente, que inclui um mirante e casarões antigos restaurados, nas ruas Sete de Setembro e Álvaro Ramos.
A despoluição visual no tecido urbano é pauta da equipe da Unidade Gestora de Projetos Municipal de Energia (UGPM) e Implurb no local das obras, com o início de demolições de muros para abrir o Largo de São Vicente, um emaranhado de fios aéreos.
“Percebemos, com a abertura do espaço, esse comprometimento da paisagem urbanística para os projetos do mirante Lúcia Almeida e largo e chamamos a UGPM Energia para discutir sistemas e formas de ter, inclusive, instalações subterrâneas. Aqui temos situações de alta tensão e baixa, que atende a residências e atenderá também às novas construções”, explicou o diretor-presidente do instituto, Carlos Valente.
Para ele, com o investimento da prefeitura usando recursos próprios para reabilitar e revitalizar a região, a despoluição do espaço aéreo vai ter impacto direto na paisagem que foi projetada para dar ampla visibilidade ao espaço e ao rio Negro.
“Temos algumas diretrizes e vamos levar o tema para a Amazonas Energia, já que parte das competências são da concessionária. Nossa meta é alinhar soluções e, ao final do projeto, ter um sistema elétrico adequado”, afirmou.
Acompanhando os estudos, o superintendente da unidade, Elder da Silveira, adiantou que um poste de iluminação pública da Manaus Luz será remanejado, mas que a competência da remoção de posteamento é da concessionária.
“Vamos entrar em contato com a Amazonas Energia e fazer uma visita ao local, vendo as necessidades de deslocamento e desvio de fiação, talvez subterrâneo. Ali tem rede de alta tensão e um transformador. Essa intervenção precisa da parceria. E a iluminação pública vai ser harmonizada com o espaço, quando o projeto e a obra estiverem mais avançados”, explicou Silveira.
Em obras

A Prefeitura de Manaus já realiza obras no mirante e largo, incluindo ainda o casarão Thiago de Mello, entre a avenida 7 de Setembro e a rua Bernardo Ramos, no Centro.
Os projetos fazem conexão e um diálogo entre o contemporâneo e o antigo, explorando os conceitos de permeabilidade visual. Por isso o mirante terá as alvenarias retiradas para que as pessoas possam, do largo, contemplar o rio.
Será criado um grande espaço público numa área onde não existia. São quase 9 mil metros quadrados onde não existia área pública nenhuma.
O “Nosso Centro” também trata de habitação para diversas classes sociais, não exclusivamente de interesse social. E o retorno dos moradores será gradativo.
As intervenções que estão ocorrendo agora vão impulsionar os eixos do programa, como o “Mais Negócios”, estimulando a abertura e expansão de comércio, serviços e conexões, que vão dar apoio aos moradores já existentes e aos que irão chegar.
Programa
O “Nosso Centro” tem entre suas diretrizes proporcionar a reocupação da área central de Manaus, um bairro dotado de uma das melhores infraestruturas urbanas da capital.
Em todas as intervenções realizadas em centros históricos, no Brasil e em outros países, se verifica que inicialmente há um investimento do poder público, fazendo o resgate das áreas, e posteriormente a iniciativa privada dá continuidade e tem sua parcela de colaboração.


