Ex-nadadoras do Amazonas denunciam o atual presidente da Federação Amazonense de Desportos Aquáticos (Fada), Vitor Hugo Lopes Façanha, 63 anos, o “Botinho”, por abuso e assédio sexual. Algumas, hoje com 20 anos, afirmam que foram abusadas quando eram crianças e adolescentes treinadas por ele, no colégio La Salle, entre 11 e 17 anos.
Oito jovens que não sabiam das histórias uma das outras, estão na Justiça contra Botinho. “Tinha 11 anos na época. Ele sempre brincava comigo que tinha um corpão, um coxão”, disse uma delas na reportagem nacional da rede CNN Baasil, levada ao ar neste sábado (19).
A imagem das entrevistadas foram preservada na reportagem. Todas disseram que, dos 12 anos de idade em diante, tiveram suas partes íntimas do corpo tocada, foram colocadas na parede e sofreram tentativas de serem beijadas à força.
As jovens falam dos abusos ainda muitos novas. Elas são de bairros periféricos da capital amazonense que sonhavam com uma bolsa de estudos por meio da natação em um dos colégios mais tradicionais da cidade, onde uma mensalidade não sai por menos de R$ 1.700,00.
As bolsas de estudos por meio do esporte era uma isca usada pelo técnico de natação para meninas dos bairros mais pobres. “Ele tenta ganhar a gente com uma vaga e logo depois ele começava com os abusos”, afirma uma das vítimas na matéria, que ouviu 21 alunas do professor – 11 confirmaram sofrer algum tipo de assédio.
Os casos aconteceram entre 2008 e 2016, segundo os depoimentos. Hoje com 19 anos, uma adolescente conta que entrou aos 12 na escola e aos 13 começaram as propostas de namoro do treinador. “É muito dificil ter coragem para falar. Ele leva os pais a confiar nele”.
Uma delas, de 20 anos, tem processo na Justiça. A mãe da jovem fala que o professor dizia para ela confiar nele. “Tinha noite que a nossa filha nem conseguia dormir. Nos sofremos muitio por causa desse mostro. Ele tem que estar preso. Eu tenho fé em Deus que vai aparecer mais meninas que ele fez a mesma coisa”, disse a mãe.
“Logo que passou uma semana ele começou a perguntar se eu podia namorar. Eu disse que não e diante da insistência parei de fazer o que mais gostava. Amiga minha pegou carona e na saída ele pegou na bunda dela”, revelou a adolescente que trava uma sigilosa batalha judicial contra o ex-técnico.
“Eu estava sozinha fazendo exercício e só tava eu e ele. Disse que estava fazendo o exercício errado e montou mim. Montou e disse como era pra fazer, praticamente o mesmo exercício. Pedi para ele sair de cima. Eu fiz o exercicio e ele não saiu até que entrou outra pessoa na academia e ele saiu. A partir daí parei de prraticar o esporte”, fala outra das meninas que processaram Botinho, um ex-nadador do Clube Atlético Rio Negro local.
“Fabiana”, nome fictício, mudou de estado, mas mesmo assim ele continuou assediando. “Pedia fotos intimas, dizia que queria ser o meu primeiro. Ele tentava beixar na boca na escolinha, passava as mãos nas pernas, na bunda, nas coxas. Tentou me beijar várias vezes, me chamava para sair. A gente achava que era brincadeira . Hoje em dia já nem sinto raiva”.
“Era tocada nas ártes íntimas desde os doze anos. Uma vez me trancou no carro e me fez colocar a mão nele. Pediu para os meninos tirarem foto das meninas no banheiro feminino e mostrar para ele”, segue um outro depoimento da matéria.
Em outra entrvista, uma menina disse que foi malhar por último e ele “entrou e me prendeu assim na parede, pegou nas partes intimas disse que era gostosa e depois desse dia passei muito tempo sem ir”. Hoje casada e com uma filha, a jovem não ficou livre da perseguição e continua sendo assediada.
Outro lado
Ouvido pela reportagem, o Colégio La Salle disse que abriu sindicância interna para apurar as denúncias e que formalizou um boletim de coorrência na Delegacia Especializada de Proteção ao Menor e do Adolescente. A escola também informou que o professor não faz mais parte dos seus quadro de profissionais.
Procurada, a Confederação de Natação em Esportes Aquáticos disse que não fla sobre investigações do órgão e não comenta reportagem.
Por telefone, o técnico Botinho nega as acusações. Informou que em 43 anos de ‘beira de piscina’ teve apenas um probema que, corre em sigilo de Justiça. “Já treinei mais de 2 mil atletas”, respondeu ele, que possui dezenas de títulos regionais e nacionais, conquistados por seus nadadores.
Botinho nega qualquer acusação de toque inadequados, convites para sair e assédio e que nunca tentou beijar nenhuma aluna. Ele diz não entender porque somente agora estão acusando. “Eu conheço os pais dos ateletas, eu sei como eles são”.
Ele disse ainda que uma dessas meninas apareceu para treinar com uma malha muito justa, chamativa e que tee de chamar a atenção porque lá também treinavam pais de atletas. Que ela ia para outro lugar e dizia que estava treinando, com o que ele não concordava. “Ela molhava o cabelo para chegar em casa e dizer que estava treinando”.
“Se te falaram, é a palavra deles contra a minha. Pessoas que te falaram isso aí, assim como algumas te disseram alguma bobagem, alguma mentira, outros negaram. Isso aí, inclusive as caronas que eu dava,os pais sabiam disso. Se tivesse tido algum problema, elas teriam falado com os pais e os pais teriam vir me falado. Nada nunca foi relatado”, alega.


