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Queiroz, investigado por morte: sobrevivente será ouvido pela primeira vez

Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), enfrentará ao longo de 2021 outras investigações criminais além do caso da “rachadinha”, a devolução ilegal de salários na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O subtenente da reserva da PM do Rio é investigado pela morte de Gênesis Conceição da Silva e pela tentativa de homicídio sofrida por Antônio Rabelo em decorrência de uma ação policial, na comunidade da Cidade de Deus, na zona oeste do Rio.

O caso ocorreu em novembro de 2002 e é investigado pela 32ª Delegacia de Polícia. Desde então, diferentes delegados pediram três vezes o arquivamento do inquérito sem ouvir o depoimento do sobrevivente ao tiroteio.

O caso agora está na Delegacia de Acervo Cartorário aguardando o cumprimento de ações. O advogado de Fabrício Queiroz, Paulo Emílio Catta Preta, disse que ainda não representa o policial no inquérito. O policial militar cumpre prisão preventiva em seu apartamento na Taquara, Zona Oeste do Rio, desde julho do ano passado devido ao caso das “rachadinhas”.

Entenda o caso e quem é a testemunha – Nos autos, a versão dos fatos que existe até hoje é essencialmente a contada por Queiroz, então sargento do 18º Batalhão. Depois do tiroteio, ele prestou depoimento e disse que “estava em patrulhamento de rotina com os demais policiais militares quando diversos elementos armados passaram a efetuar disparos contra a guarnição”.

Queiroz afirmou que os policiais reagiram e os “meliantes” correram para o interior da comunidade e a perseguição continuou dentro da comunidade. Em certo ponto, ele encontrou um desses “elementos caído, baleado, portando a arma de fogo”. Em seguida, segundo Queiroz, surgiu outro homem, também baleado em uma das pernas e dizendo ter sido atingido por um dos disparos dos criminosos.

A história é bastante diferente da contada pelo confeiteiro Antônio Rabelo – que disse que, por convite de uma amiga que morava na comunidade, estava indo para um baile funk. Pouco antes de chegarem no local do baile, ele e os amigos se viram cercados por uma troca de tiros entre policiais e o que ele acredita ser um grupo de traficantes.

Fabrício Queiroz cumpre prisão preventiva em sua casa na zona oeste do Rio

Rabelo diz que viu um homem bastante ferido ser colocado dentro de uma viatura, mas não o conhecia. “Ele tava muito ensanguentado, mas estava vivo ainda. Botaram na viatura para levar no hospital. Não conheço”, disse. “Não foi só eu e esse rapaz que foi atingido. Teve moradores que foram atingidos”, contou.

O confeiteiro revelou que foi levado pelos policiais para o Hospital Lourenço Jorge, na zona oeste do Rio. Mais tarde foi transferido para o Hospital Miguel Couto. Os tiros pegaram em uma das pernas, joelho e no pé.

O pai de Gênesis da Silva, mesmo tendo reconhecido o corpo do filho em 2002, só foi ouvido 10 anos depois e outros dois policiais também prestaram depoimento 18 anos após o caso e informaram não se recordar mais da ocorrência. Os policiais alegaram que Gênesis era traficante, mas ele não tinha nenhuma anotação criminal.

Outras investigações – Queiroz, também é investigado no caso da “rachadinha”, a devolução ilegal de salários na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Em outubro do ano passado, ele foi denunciado ao Tribunal de Justiça fluminense junto com o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro por organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.

Fonte: UOL

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