Assessor de gabinete da Secretaria-Geral da Presidência do TSE foi demitido 30 minutos depois de informar a sua chefe sobre suposto erro nas inserções de peças eleitorais do presidente em uma rádio; ele procurou a PF, onde prestou depoimento na manhã de hoje (26) afirmando que reiterada vezes alertou sobre as irrregularidades e que se sente ameçado

Menos de 24h após a campanha do presidente e candidato a reeleição, Jair Bolsonaro (PL) entregar as informações “sérias” exigidas pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, sobre rádios do Nordeste onde teriam ocorrido irregularidades nas inserções eleitorais no segundo turno, o órgão exonerou, na manhã desta quarta-feira (26), o servidor responsável por essa área, Alexandre Gomes Machado, assessor de gabinete da Secretaria Judiciária da Secretaria-Geral da Presidência.
De acordo com a campanha do atual presidente, as emissoras citadas deram mais tempo no horário eleitoral ao canditato petista Lula da Silva (PT).
Machado era coordenador do pool de emissoras que exibem as propagandas eleitorais, responsável pelo setor que recebe os arquivos com as peças publicitárias e os disponibiliza no sistema eletrônico do TSE, para que sejam baixadas pelas emissoras de rádio e TV.
A demissão ocorre em meio à polêmica envolvendo a denúncia feita pela campanha do presidente de que o atual líder teria sido prejudicado com ao menos 154 mil inserções de propaganda eleitoral a menos que Lula (PT) em diversas rádios brasileiras.

A demissão foi publicada hoje no Diário Oficial da União (foto ao lado). Sentindo-se ameçado, o servidor se apresentou na Polícia Federal onde prestou depoimento espontâneo alegando ter sido demitido “sem que houvesse nenhum motivo aparente”, após tomar conhecimento sobre suposto erro nas inserções de peças eleitorais do presidente Jair Bolsonaro em uma rádio.
“O declarante, na condição de coordenador do pool de emissoras do TSE, recebeu um e-mail emitido pela emissora de rádio JM On Line na qual a rádio admitiu que, dos dias 7 a 10 de outubro, havia deixado de repassar em sua programação 100 inserções da Coligação Pelo Bem do Brasil, referente ao candidato Jair Bolsonaro”, diz trecho do depoimento do funcionário do TSE à PF.
Alexandre Machado também disse ser “vítima de abuso de autoridade” e admitiu “temer por sua integridade física”, o que justificaria a procura da corporação para declaração, feita à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, após sua demissão.
No depoimento, ele também afirma que desde 2018 tem informado seus superiores no TSE sobre falhas de fiscalização na veiculação de inserções da propaganda eleitoral gratuita, o que teria, segundo ele, motivado a sua demissão.
Ainda de acordo com Alexandre Machado em seu depoimento na PF, ao ter conhecimento sobre os erros na rádio JM On Line, ele comunicou a falha para Ludmila Boldo Maluf, chefe de gabinete do secretário-geral da Presidência do TSE, sendo exonerado cerca de 30 minutos depois e “conduzido por seguranças ao exterior do Tribunal”.
“Então decidiu comparecer a esta Superintendência de Polícia Federal, por ter se sentido vítima de abuso de autoridade e por temer por sua integridade física ou que lhe sejam imputados fatos desabonadores para desviar o foco de provem fiscalização de inserções por parte do TSE”.
Saiba mais
A exoneração de Alexandre Gomes Machado acontece dias após a campanha de Bolsonaro denunciar supostas irregularidades em inserções do candidato em rádios do Norte e Nordeste.
Na última segunda-feira (24), o ministro das Comunicações, Fábio Faria, e o chefe de comunicação da campanha de Bolsonaro, Fabio Wajngarten, afirmaram em coletiva de imprensa que diversas inserções deixaram de ser veiculadas em rádios, falando em “grave violação do sistema eleitoral”.
Segundo eles, uma auditoria contratada pela campanha do presidente flagrou irregularidades nas inserções publicitárias do candidato. De acordo com o levantamento, o atual presidente teve 154.085 inserções a menos que seu concorrente.
“Só no Nordeste, na semana de 7 a 14 de outubro, foram 12 mil inserções a menos. E na semana seguinte, dos dias 14 a 21, foi para mais de 17 mil. O lugar mais forte disso é o Estado da Bahia. Só na primeira semana, foram mais de 7 mil a mais para Lula”, defenderam.
Segundo Faria e Wajngarten, a região mais afetada foi o Nordeste, com 18,24% menos inserções que Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores.
Ao receber a denúncia, o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, disse que não havia comprovação e determinou que os denunciantes entregassem provas e informações mais “sérias” num prazo de 24h sob pena de serem enquadrados em crime eleitoral, que prevê multa e prisão.


