
O juiz Rosberg Crozara, da Comarca de Manaus, ordenou, nesta quinta-feira (6), que a Corregedoria da Polícia Civil do Amazonas investigue o delegado Cícero Túlio, do 13º DIP (Distrito Integrado de Polícia), por suspeita de violência policial contra a influenciadora digital Isabelly Aurora, presa na quarta-feira (5) na Operação Dracma, em Manaus.
Ela estava presa no 6º DIP e denunciou que horas antes da audiência de custódia, o delegado foi até a cela e ameaçou “acabar” com a imagem e a vida dela. Ainda segundo ela, sem motivo algum, Cícero gritou e a xingou diversas vezes.
Na audiência de custódia, Crozara concluiu que não havia ilegalidade na prisão de Isabelly, mas ordenou que a Vara de Inquéritos Policiais, de onde partiu o decreto da prisão preventiva, avalie a necessidade de converter a prisão em domiciliar, em razão da situação do filho da influenciadora, que ainda é amamentado por ela.
Isabelly foi presa na segunda fase da Operação Dracma, que apura esquema de fraudes em rifas ilegais. Os policiais também cumpriram mandado de prisão contra o ex-marido dela Paulo Victor Monteiro Bastos e contra o influenciador digital João Lucas da Silva Alves, mais conhecido como Lucas Picolé, que foi preso com drogas na primeira fase da operação.
A influenciadora afirmou que, no momento em que foi presa, estava na casa da sogra, dormindo com o filho que tem um ano de idade quando. Segundo ela, o delegado e outros dois policias entraram no quarto e anunciaram a prisão. Isabelly disse que Cícero a chamava constantemente de “folgada”.
Na audiência de custódia, ao ser questionada se concordava com o envio da denúncia contra o delegado para a Corregedoria da Polícia Civil do Amazonas, a influenciadora disse que tinha medo, mas que aceitava.
O juiz ordenou que a corregedoria “promova as investigações necessárias acerca dos relatos da custodiada, notadamente o Delegado dr. Cícero Túlio Coutinho”.
Saiba mais

Durante a coletiva de imprensa, o delegado Cícero Túlio, destacou que Isabelly Aurora, como é conhecida, já possui passagem pela polícia. Ela já havia sido apreendida em 2018, quando tinha 17 anos, por suspeita de receptar celulares roubados da marca iPhone em Manaus.
“Nessa segunda fase da Dracma, conseguimos cumprir três mandados em nomes dos indivíduos, que possuem participação. A influenciadora Isabelly Aurora já possui um vasto histórico criminoso, inclusive já foi presa outras vezes”, relatou Cícero.
De acordo com o delegado à frente das investigações, um esquema fraudulento de rifas e sistema de premiação sem registro, por meio das redes sociais, desviava o dinheiro para evitar a fiscalização e controle do sistema financeiro.
Também foi preso Paulo Victor, ex-companheiro de Isabelly, e responsável por auxiliar na lavagem de dinheiro. Foi apurado que diversos objetos e veículos que eram comprados por Isabelly foram colocados no nome do Paulo Victor, a fim de dissimular o escoamento dos valores. Na conta corrente bancária dele também passaram grandes quantias provenientes dos crimes.


Já “Lucas Picolé” teve a ordem judicial cumprida em uma unidade prisional, pois já estava preso desde a primeira fase da Operação Dracma, no dia 29 de junho deste ano. Uma quarta envolvida identificada como Flávia Ketlen Matos da Silva, 34, está sendo procurada por envolvimento nos crimes.
Material apreendido

Durante a ação, foram encontrados em posse de Paulo Victor, uma arma de fogo calibre 9mm, 10 munições, além de um cartão de benefício previdenciário de um idoso. Também foram apreendidos três aparelhos celulares.

“As investigações irão continuar para apurar a participação de outros influenciadores no esquema criminoso, somente após isso o Inquérito Policial (IP) será finalizado”, afirmou o delegado.


