
O agravamento da estiagem que atinge o Amazonas fez o Rio Negro, um dos principais da região, a atingir novo nível mínimo histórico. De acordo com o Porto de Manaus, onde a medição é realizada diariamente, nesta segunda-feira (23), o nível caiu para 12,89. É a primeira vez, em 121 de medição, que a profundidade fica na casa dos 12 metros.
Em todo o Amazonas, já são 633 mil o número de pessoas afetadas pela seca severa deste ano, conforme dados do Boletim da Estiagem da Defesa Civil estadual divulgados neste domingo (22).
Dos 62 municípios do estado, 59 estão em situação de emergência por causa da estiagem. Segundo a Defesa Civil, as 633 mil pessoas afetadas fazem parte de 158 mil famílias.
A capital Manaus já vive a pior seca desde o fim de abril deste ano, com o nível do Negro se reduzido gradativamente. A previsão é que ele continue baixando até o início de novembro, quando termina o período de estiagem.
Para se ter uma ideia, o recorde de alta já medida foi 30,02 metros em 16 de junho de 2021. Atualmente, alguns rios do estado parecem estradas de terra com filetes de água e embarcações atoladas. As cidades de Manacapuru, Itacoatiara e Parintins também já atingiram uma vazante recorde, com o Rio Amazonas chegando aos 80 centímetros.
Esta semana, a Marinha, por meio do Navio de Assistência Hospitalar Soares de Meirelles, em ação conjunta com o Exército e autoridades locais, distribuiu mais de 6 mil cestas básicas e 1,1 mil caixas de água mineral em municípios da região do Alto Solimões.
A distribuição começou pelo município de Tabatinga, perto da fronteira com a Colômbia e o Peru.
Segundo a Marinha, o navio é “o principal meio de transporte para distribuição de cestas básicas e suprimentos essenciais na região”.
A embarcação deve percorrer 1.350 km, incluindo os municípios de Benjamin Constant, Atalaia do Norte, Amaturá, Santo Antônio do Içá e Tonantins.
“A estiagem prolongada colocou diversas comunidades em situação de fragilidade, devido às dificuldades de abastecimento que estão enfrentando. Essa operação é muito importante por trazer uma resposta imediata e ajudá-los a superar esse momento de dificuldade”, disse o capitão de fragata Ricardo Sampaio Bastos, capitão dos Portos de Tabatinga.
Em outra ação de ajuda federal, o Ministério da Saúde anunciou, no começo da semana passada, uma verba de R$ 225 milhões para reforçar o atendimento no Amazonas em razão da forte estiagem.
Na semana passada, o ministério enviou ao Amazonas sete kits calamidade, contendo 32 medicamentos e 16 insumos, com capacidade para atender a 10,5 mil pessoas por até um mês.


