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Serasa: inadimplência no agro atinge 14,3% da população do Amazonas

Amazonas tem o 2º maior índice de inadimplência da população rural, aponta Serasa Experian. Crédito mais restrito, custos elevados e margens apertadas seguem pressionando produtores, apesar de sinais de desaceleração no curto prazo.

Dados  inéditos da Serasa Experian mostram que 8,3% da população rural brasileira estava inadimplente no terceiro trimestre de 2025.

Neste cenário o Amazonas registrou o segundo maior índice (14,3%) de inadimplência na população rural entre os Estados brasileiros ficando abaixo apenas do Amapá (19,8%), de acordo com dados da Serasa Experian, divulgados no último dia (19).

Apesar do aumento gradual, a leitura do mercado é que o endividamento segue relativamente controlado quando comparado ao volume total de crédito rural concedido nos últimos anos.

Entre as regiões do país, o Sul apresentou o menor percentual de inadimplência no terceiro trimestre de 2025, com 5,5%. O Sudeste vem em seguida, com 7,0%. Na sequência aparecem:

  • Centro-Oeste: 9,4%
  • Nordeste: 9,7%
  • Norte: 12,4%

Na análise por Unidade Federativa, o Rio Grande do Sul teve o melhor desempenho, com taxa de inadimplência de 5,1%, seguido por Paraná (5,8%) e Santa Catarina (5,8%). No outro extremo, o Amapá registrou o maior percentual, de 19,8%.

Destaques por UF (3º tri/2025)

Menores taxas:

  • RS: 5,1%
  • PR: 5,8%
  • SC: 5,8%
  • MG: 6,8%
  • SP: 6,8%

Maiores taxas:

  • AP: 19,8%
  • AM: 14,3%
  • RR: 13,3%
  • RN: 12,8%
  • PA: 12,7%

“A inadimplência segue avançando de forma gradual e, mesmo com alguma estabilização em partes do setor, muitos produtores continuam operando com margens apertadas e um fluxo de caixa pressionado dentro do contexto, que mantém custos elevados, preços voláteis e uma concessão de crédito mais seletiva”, diz Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian.

“Esse é um cenário que reforça ainda mais a necessidade de uma gestão de risco apoiada por dados que contribuam para um setor mais saudável”, finaliza o head da datatech.

Os dados também mostram diferenças relevantes conforme o perfil do produtor. Aqueles “sem informação de registro rural” — possíveis arrendatários ou participantes de grupos familiares ou econômicos — seguem com o maior percentual de inadimplência, de 10,8%. Na sequência aparecem:

  • Grandes proprietários: 9,6%
  • Médios produtores: 8,1%
  • Pequenos produtores: 7,8%

Inadimplência rural atinge poucos, mas concentra valores elevados

Ainda no terceiro trimestre de 2025, o índice da datatech indica que a inadimplência está concentrada principalmente em dívidas contraídas com instituições financeiras, que alcançaram 7,3%. Já os débitos diretamente ligados a credores do próprio agro representaram apenas 0,3%, enquanto os registrados em outros setores somaram 0,2%.

Os percentuais refletem taxas de inadimplência por tipo de credor, e não a distribuição de um mesmo volume de dívida, indicando que o risco está mais associado ao sistema financeiro do que às relações comerciais dentro da própria cadeia do agronegócio.

pesar da baixa incidência, os valores envolvidos são elevados. No período, a dívida média dos inadimplentes com instituições financeiras atingiu R$ 100,5 mil, enquanto no setor agro chegou a R$ 130,3 mil — patamar superior ao observado em outros segmentos ligados ao setor, como seguradoras não-vida, transporte de carga e armazenamento (R$ 31,7 mil).

“O perfil do crédito rural, marcado por tíquetes mais altos, prazos mais longos e maior exposição financeira, faz com que poucos inadimplentes concentrem montantes expressivos de dívida, ampliando o risco mesmo em um cenário de taxa relativamente controlada”, explica Marcelo Pimenta. 

Produtores mais experientes apresentam menor taxa de inadimplência

A análise por faixa etária mostra que os produtores mais experientes são, proporcionalmente, os menos inadimplentes. No terceiro trimestre de 2025, a menor taxa foi registrada entre aqueles com 80 anos ou mais.

Inadimplência por faixa etária (3º tri/2025)

  • 18 a 29 anos: 12,1%30 a 39 anos: 12,7% (maior taxa)
  • 40 a 49 anos: 10,5%
  • 50 a 59 anos: 8,0%
  • 60 a 69 anos: 6,7%
  • 70 a 79 anos: 5,9%
  • 80 anos ou mais: 3,6% (menor taxa)

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