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UEA forma primeira turma de professores indígenas do Vale do Javari

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) acaba de formar 34 professores indígenas no curso Pedagogia Intercultural, na região do Vale do Javari, no oeste do Amazonas.

A outorga de grau ocorreu na última semana, no município de Atalaia do Norte (distante 1.138 quilômetros de Manaus). A instituição de ensino superior do Governo do Amazonas é a primeira do país a oferecer esse tipo de formação.

Os formandos pertencem às etnias Marubo, Matis, Matses e Kanamari, espalhadas pela terra indígena do Vale do Javari, localizada na região da tríplice fronteira – Brasil, Peru e Colômbia –, onde vive o maior número de grupos indígenas em situação de isolamento voluntário do mundo.

A solenidade de entrega dos diplomas contou com a presença da vice-reitora da UEA, Kátia Couceiro, representando o reitor André Zogahib. Ela, acompanhada do pró-reitor de Ensino de Graduação, Raimundo Barradas, prestigiou e se emocionou durante o evento.

Durante a colação, foi apresentado vídeo do reitor André Zogahib parabenizando a turma, todos os coordenadores e os 24 docentes envolvidos na realização do curso, sendo quatro deles indígenas.

Valorização


Da etnia Kanamari, José Ninha Tavares, 49, explica que a vontade de querer ser professor surgiu da necessidade que seu povo tem na área da educação.

Segundo ele, os conhecimentos não indígenas são totalmente diferentes da realidade das comunidades, o que acaba dificultando o aprendizado.

Etnias e a educação


Os professores indígenas das etnias Marubo, Matis, Matses e Kanamari são povos que tiveram o contato com a sociedade nacional intensificado a partir da década de 1970. A escolarização desses povos teve início a partir do final da década de 1980.

Na década de 1990, começou a ser ofertado o curso de formação em níveis fundamental e médio, oferecido pela Secretaria de Estado da Educação e do Desporto.

Naquele período, os alunos tiveram suas formações interrompidas por conta de uma pandemia de Cólera e Hepatite Delta que afetou todo o território do Vale do Javari.

Durante a pandemia de Covid-19, na última etapa antes do encerramento do curso de nível superior, as aulas foram suspensas em respeito às medidas de biossegurança.

Neste período, o curso esteve em luto pela perda do aluno Benedito Marubo, o primeiro professor indígena de seu povo e sábio conhecedor do Vale do Javari.

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