Portal Você Online

Umidade do ar chega a 30% em algumas cidades amazonenses e é preciso redobrar cuidados

A região Sudeste do Amazonas bate média de 30% da umidade relativa do ar durante o alerta amarelo do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Desta sexta-feira (06) até a próxima terça (10), a população deve redobrar os cuidados com a saúde, em todo o estado. 

Cidades como Humaitá e Manicoré bateram índices abaixo dos 30% nos últimos registros do INMET e puxaram o alerta sobre o potencial do estado atingir baixos níveis de umidade dentro de cinco dias.

Os municípios também fazem parte da área atingida por uma onda de calor, quando a temperatura média sobe 5C°, no mínimo, durante o mesmo período. 

O meteorologista do instituto, Olívio Bahia, explicou que os níveis atuais são justificados pelo período de estiagem que atinge intensamente o Amazonas.

Ele informou que a relação entre temperatura e umidade do ar são inversamente proporcionais, quanto mais calor, menor nível de vapor de água disperso na atmosfera. 

“A região do Amazonas está com níveis que podem variar de 20% a 40% da umidade. São meses sem chuva constante e estiagem presente, isso compromete tudo quando a gente analisa a longo prazo” disse o meteorologista. 

Bahia também explicou que o nível mais saudável do indicativo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é de 60%. Porém, não é uma média mantida durante todo o dia uma vez que há variação entre noite, madrugada e o restante das 24 horas.

 Queimadas e fumaça 

 Para o meteorologista, a baixa umidade do ar no estado não é o maior problema para a população, apesar de deixar a situação mais nociva à saúde. Ele defende que o alto registro de queimadas e fumaça devem ser a prioridade do poder público porque apresentam riscos mais graves tanto para as pessoas quanto para o meio ambiente. 

“A umidade é apenas uma parte do problema real que a região enfrenta, assim como outras partes do país. O nível da qualidade do ar, por exemplo, cai drasticamente com a poluição causada pelas queimadas, que se transportam através da fumaça e acabam atingido diversas cidades” comentou Bahia. 

O INMET prevê que há uma chance moderada de chuva mais distribuída no Amazonas a partir do dia 20 de outubro, contudo, apenas em outubro elas devem ficar mais recorrentes na região e “lavar” a atmosfera contaminada pela fumaça bem como diminuir os índices de focos de incêndio.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), foram registrados 282 focos no estado nas últimas 24 horas. 

Enquanto o período chuvoso não chega, a recomendação para a população é aumentar a ingestão de líquidos durante o dia, usar protetor solar e proteções físicas (como chapéus, bonés e camisas de manga cumprida), mas principalmente evitar a exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h, período de maior incidência solar.

Dicas de Prevenção e Cuidados

Para minimizar os efeitos adversos do calor e da seca, confira as orientações do médico:

1. Hidrate-se constantemente: Beber água regularmente é essencial, principalmente para crianças e idosos que podem não perceber a necessidade de se hidratar. Ofereça líquidos diversas vezes ao dia e monitore o estado de hidratação.

2. Evite atividades físicas nos horários mais quentes: Praticar exercícios ao ar livre deve ser evitado entre 10h e 16h, quando as temperaturas e a radiação solar estão mais elevadas.

3. Cuide da pele e lábios: Use hidratantes ricos em emolientes logo após o banho e durante o dia. Para os lábios, um protetor labial ajuda a prevenir rachaduras e desconforto.

4. Proteja os olhos: O uso de lágrimas artificiais pode aliviar a irritação ocular em ambientes secos.

5. Evite banhos quentes e longos: Prefira banhos curtos e frios para não remover a oleosidade natural da pele, que ajuda na proteção contra o ressecamento.

6. Umidifique os ambientes: Utilize umidificadores de ar para manter a umidade em níveis confortáveis (entre 40% e 60%). Essa prática alivia o ressecamento das vias respiratórias e da pele.

7. Ventile os ambientes: Embora a umidificação seja importante, garantir a circulação de ar fresco evita o acúmulo de alérgenos e melhora a qualidade do ar interno.

8. Soluções salinas nasais: O uso de soro fisiológico nas narinas ajuda a manter as vias respiratórias umedecidas, prevenindo irritações.

9. Cuidados com grupos vulneráveis: Crianças e idosos devem ser monitorados e estimulados quanto à hidratação e ao conforto em ambientes secos.

O pior agosto em 26 anos de queimadas e incêndios no Amazonas

O Amazonas tem o pior agosto em relação a queimadas dos últimos 26 anos. Os dados são do programa BD Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e levam em consideração o monitoramento feito desde 1998, quando o órgão começou a série histórica.

Parte do Amazonas está encoberto por uma mancha de fogo de quase 500 quilômetros de extensão, conforme captado pelo satélite europeu Corpenicus. O problema também afeta o Acre, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e agora o Pará, formando um verdadeiro ‘cinturão do fogo’.

O governo decretou emergência ambiental em todos os 62 municípios do estado e proibiu qualquer tipo de queimada. O fogo criou uma nova onda de fumaça que encobre Manaus e outros municípios amazonenses.

Segundo o Inpe, de 1º a 31 de agosto, o Amazonas registrou 10.328 queimadas, o maior índice desde 1998, quando o instituto começou a monitorar os focos de calor na região. Até então, o recorde era de agosto de 2021, quando o estado havia registrado 8,5 mil focos de calor.

O número de queimadas em agosto deste ano é quase o dobro do registrado em agosto do ano passado: 5.474. O problema que já era grave em 2023, está pior este ano.

Em julho, o estado também já havia registrado o pior índice da história para o mês.

  • 🔥Número de queimadas no Amazonas de 1º a 31 de agosto de 2024: 10.328 (⬆️ 88% em relação a 2023)
  • 🔥Número de queimadas no Amazonas de 1º a 31 de agosto de 2023: 5.474.

Dos dez municípios que mais queimaram a Amazônia Legal em agosto, três estão no Amazonas: Apuí, Lábrea e Novo Aripuanã. Os três, inclusive, estão localizados no Sul do estado, chamado de ‘arco do fogo’, devido a forte presença da pecuária na região.

Apuí está na quarta posição da lista com 2.267 queimadas. Lábrea vem logo atrás com 1.959 focos de calor e Novo Aripuanã fecha o ranking com 1.208. A lista traz ainda municípios do Pará, Rondônia e Mato Grosso do Sul.Municípios que mais queimaram a Amazônia em agosto

Fumaça de volta

Fumaça voltou a encobrir Manaus.  — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

O avanço das queimadas no Amazonas fez com que Manaus vivesse, mais uma vez, uma “onda” de fumaça na semana passada. Essa, inclusive, foi a segunda vez que o fenômeno atingiu a cidade só este ano.

O problema voltou na segunda-feira (26). Já na terça (27), o fenômeno tomou conta da cidade por completo, resultando em baixa qualidade do ar na maioria das zonas da capital, de acordo com o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva). A situação também afeta o interior do estado.

Na ocasião, segundo a Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas (Sema), uma frente de massa de ar vinda do sudoeste do Brasil chegou a Manaus trazendo material particulado das queimadas no sul do Amazonas, de estados vizinhos e, também, de áreas da Bolívia.

Conforme o Selva, para ser considerado de boa qualidade, o ar precisa medir entre 0 e 25 μm/m³ (micrómetro por metro cúbico de AR).

No entanto, bairros da Região Sul de Manaus chegaram a registar 171.6 µg/m³. Já na região da Praia da Ponta Negra, um dos principais pontos turísticos da capital, o índice chegou em 196.4 µg/m³. Em quase todos os pontos da capital, o nível do ar era considerado péssimo ou muito ruim. Muitas pessoas voltaram a usar máscaras de proteção nas ruas.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *