
As vendas do comércio do Amazonas encolheram em dezembro, mas o setor ainda conseguiu fechar 2025 no azul. O varejo restrito recuou 3,2% diante de novembro, mesmo favorecido por um dia útil a mais, e pelo movimento de fim de ano. O resultado eliminou o ganho parcial anterior (+0,3%).
O confronto com dezembro de 2024 apontou redução de 1,5%, no segundo maior tombo do país. Com isso, o setor encerrou o ano com alta de 0,6%, no desempenho mais fraco desde 2021 (-1,2%). No mês do Natal, o volume comercializado pelo varejo ampliado, que inclui bens de maior valor agregado e dependentes de crédito, não se saiu muito melhor.
O varejo brasileiro teve números mais animadores. Puxado para baixo por seis das oito atividades, recuou 0,4% na variação mensal, reduzindo parte do ganho de novembro (+1%). A queda foi sentida principalmente em “artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria” (-5,1%).
A queda de 0,4% no comércio varejista brasileiro em dezembro ante novembro foi decorrente de “uma Black Friday mais forte do que o Natal” no comércio no ano de 2025, avaliou Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
“Eventualmente, nas promoções de novembro no varejo, você consegue também fazer as compras para o Natal, disse o pesquisador, sugerindo um movimento de antecipação de compras.
As vendas, no entanto, aumentaram 2,3% em relação a dezembro de 2024, induzidas por seis segmentos, com destaque para “equipamentos e material para escritório, informática e comunicação” (+31,1%). O ano fechou com alta de 1,6%, embora o varejo ampliado não tenha se saído melhor do que o do Amazonas. É o que revela a Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE, divulgada nesta sexta (13).
Nada menos do que 19 unidades federativas perderam o fôlego na passagem de novembro para dezembro. O varejo do Amazonas (-3,2%) permaneceu na 19ª colocação, empatando com o Mato Grosso, em um rol com o melhor desempenho no Rio de Janeiro (+1,9%) e o pior em Rondônia (-0,2%). Com o decréscimo de 1,5% na variação interanual, o Estado caiu do 21º para o penúltimo lugar, tendo Amapá (+15,9%) e Roraima (-2,4%) nos extremos. O varejo amazonense desceu da 18ª para a 19ª posição, no acumulado de 2025 (+0,6%), tendo também Amapá (+8,5%) e Roraima (-2,7%) nas duas pontas.
Inflação e crédito
O aumento do IPCA de dezembro (+0,33%) manteve o descolamento das vendas efetivas em relação à receita nominal, que não contabiliza a inflação.
A diferença é mais significativa nas comparações de longo prazo, e se tornou mais pesada no Amazonas após as crises hídricas/logísticas das vazantes. Nesse cenário, o faturamento bruto diminuiu 2,8% perante novembro. O varejo amazonense subiu 0,9% em relação a dezembro do exercício anterior, com reflexos positivos no aglutinado do ano (+5%). A média nacional (-0,4%, +4,4%, +6,4%) superou o Estado em todas as frentes.
Em razão do tamanho da amostragem, o IBGE ainda não segmenta o desempenho do comércio no Amazonas. Sabe-se apenas que, assim como no do mês anterior, os subsetores de veículos, autopeças e material de construção foram de pouco ajuda para mover o comércio amazonense como um todo.
O varejo ampliado regrediu 3% em relação a novembro de 2025. Em relação a dezembro de 2024, o decréscimo foi de 0,4%, embora o ano (+1,2%) tenha fechado no azul. A média brasileira (-1,2%, +2,8% e +0,1%) foi menos fraca em todas as comparações.
Os dados nacionais da PMC mostram que seis das oito atividades do varejo nacional amargaram perda de vendas, em dezembro: artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-5,1%); livros, jornais, revistas e papelaria (-2%); artigos de uso pessoal e doméstico (-1,8%); móveis e eletrodomésticos (-0,7%); tecidos, vestuário e calçados (-0,4%); e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,3%). Os dados positivos se limitaram aos segmentos de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (+6%); e combustíveis e lubrificantes (+0,3%).
Segundo o presidente da Associação Comercial do Amazonas, o desempenho do varejo ampliado explicita que o consumidor está adiando compras de maior valor e evitando novas dívidas. “Quando até segmentos tradicionalmente resilientes apresentam retração, fica evidente um comportamento defensivo do mercado. A expectativa é de um primeiro semestre difícil, com crescimento baixo ou estagnação. No segundo semestre, além das incertezas econômicas, teremos um cenário atípico, com eleições, Copa número maior de feriados. O varejo do Amazonas não está em colapso, mas opera sob forte pressão. O momento exige cautela, ajuste de custos e ações concretas de estímulo à economia regional para evitar um agravamento do cenário”, finalizou.


