Em junho deste ano, o oficial foi afastado da corporação após a vítima denunciar as agressões.
Vídeos mostram o coronel da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Marcos Vinicius Poinho Encarnação, espancando sua ex-mulher, Iolanda Martins, em um posto de combustíveis em Manaus. Em junho deste ano, o oficial foi afastado da corporação após a vítima denunciar as agressões.
Nas imagens, Encarnação, vestido com bermuda verde e camisa preta, aparece em cima de Iolanda, que, mesmo caída, consegue derrubá-lo na tentativa de escapar. Ele volta a imobilizá-la e desfere vários socos em seu rosto, enquanto outras pessoas apenas observam a cena.
Segundo o advogado da vítima, Alexandre Torres Jr., os vídeos foram gravados em 4 de junho, por volta das 5h. O episódio ocorreu durante uma discussão do casal, que estava ingerindo bebidas alcoólicas.
“O motivo da briga foi que ela queria ir embora e ele não. Houve desentendimento sobre como e quando deixariam o posto, se de moto, carro ou aplicativo de transporte”, explicou Torres.
Após a agressão, Iolanda desmaiou e foi levada para um quarto na loja de conveniência, onde permaneceu algumas horas. Por volta das 10h, ao recobrar a consciência, houve um novo desentendimento com o coronel, e a Polícia Militar foi acionada, cercando a área.
Iolanda relatou que, durante a chegada dos policiais, também sofreu agressões:
“Neste vídeo, a polícia chega, acredito eu que mandada por ele, me agredindo e me asfixiando com o joelho. Só me soltam quando ele manda”, contou.
Ela não foi levada a um hospital, mas registrou Boletim de Ocorrência contra o coronel. O advogado afirma que a vítima apresenta várias marcas das agressões, registradas em fotos de 2022 e 2023, entregues à polícia.
Em nota, a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) informou que o coronel responde a um Inquérito Policial Militar (IPM) na Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) desde junho deste ano, data em que o caso foi registrado e que corresponde às imagens que vêm sendo divulgadas pela imprensa.
Segundo a nota, o IPM segue em andamento para apurar os fatos. Desde então, o oficial teve a arma funcional recolhida e foi afastado da função que exercia em uma diretoria administrativa, medidas tomadas assim que o comando da corporação teve conhecimento do caso.
A PMAM destacou que repudia toda e qualquer forma de violência contra a mulher e acompanha de perto o caso, garantindo que todas as medidas cabíveis sejam aplicadas conforme a lei.
A nota ainda informa que o caso é acompanhado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM) Centro-Sul. Desde junho, a Polícia Civil instaurou um Inquérito Policial (IP) para apurar as circunstâncias do episódio, mas não poderá repassar mais informações para não comprometer as investigações.
Histórico do caso
Em junho, Iolanda usou redes sociais para relatar que era agredida pelo coronel há mais de dez anos. Ela afirmou que não denunciava antes por preocupação com a família:
“Fui agredida pelo meu esposo, aquele que deveria cuidar e zelar por mim, me arruinou! Mas isso acontece desde 2012, eu que mascarava tudo pela minha família. Com lágrimas nos meus olhos, venho aqui dizer o quanto estou magoada, triste, e que Deus me ajude.”
A PMAM informou que Encarnação foi afastado da diretoria administrativa, teve o armamento recolhido e será investigado por meio de Inquérito Policial Militar conduzido pela Diretoria de Justiça e Disciplina.
A Polícia Civil também abriu investigação por meio da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM) Centro-Sul. Até a última atualização, a defesa do coronel não havia se manifestado.


