Bolsonaro também questiona assassinato de líder indígena waiãpi no Amapá

O presidente Jair Bolsonaro disse na manhã desta segunda-feira que, até o momento, não existe “indício forte” que houve um assassinato na terra indígena Waiãpi , no Amapá, onde um cacique foi morto após a região ser invadida por garimpeiros. O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) investigam o caso.
“As informações até o momento, eu vou atualizar de manhã, não tem nenhum indício forte que esse índio foi assassinado lá. Chegaram várias possibilidades, a PF está lá, quem nós pudemos mandar nós já mandamos. Buscarei desvendar o caso e mostrar a verdade sobre isso ai”, afirmou Bolsonaro .
De acordo com um memorando da coordenação regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), a invasão à região começou a ocorrer no último dia 23, terça-feira, quando foi confirmada a morte do cacique Emyra Waiãpi. No primeiro momento, uma equipe da Funai atribuiu a morte do líder indígena a um afogamento causado por ingestão de uma bebida tradicional, durante uma cerimônia.
Nesse sábado, o órgão descartou essa possibilidade e confirmou que a causa da morte de Emyra foi a invasão de garimpeiros.
O presidente criticou ONGs de outros países ligadas ao meio ambiente e a causa indígena . Para Bolsonaro, “querem que o índio continue preso num zoológico animal”.
“É intenção minha regulamentar garimpo, legalizar o garimpo. Inclusive para índio, que tem que ter o direito de explorar o garimpo na sua propriedade. Terra indigena é como se fosse propriedade dele. Lógico, ONGs de outros países não querem, querem que o índio continue preso num zoológico animal, como se fosse um ser humano pré-histórico. Isso é muito bom para eles”, disse o presidente, destacando que mais de 90% dos índios “nem sabem o que que tem lá” em seu território.
Com agenda ambiental em foco neste início de semana, quando recebe o ministro de Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, Bolsonaro também voltou a criticar a demarcação de terras indígenas no país e a pressão sobre o Brasil em relação ao meio ambiente.
“Ele não vai querer falar grosso comigo, ele vai ter que entender que mudou o governo do Brasil. Aquela subserviência que tínhamos no passado de outros chefes de estado para com o primeiro mundo não existe mais”.
disse Bolsonaro
Entenda o caso
A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar a morte do cacique Emyra Wajãpi da terra Waiãpi, em comunidade indígena localizada na cercania da cidade de Pedra Branca do Amapari, no Amapá. A Polícia Militar encontrou a vítima com marcas de perfurações pelo corpo.
Informações preliminares indicam que o crime foi cometido por um grupo de 50 garimpeiros, que invadiu uma aldeia Wajãpi, conforme revelou com exclusividade o Congresso em Foco.
O Ministério Público Federal no Amapá também investiga as circunstâncias da morte e da invasão. O Conselho das Aldeias Wajãpi (Apina) informa que os ataques começaram na segunda-feira (22), com a morte “de forma violenta” do cacique em aldeia próxima à comunidade Mariry.
“A morte não foi testemunhada por nenhum Wajãpi e só foi percebida e divulgada para todas as aldeias na manhã do dia seguinte”, relatou. Na sexta-feira (26), os conflitos pioraram, segundo o conselho. “À noite, os invasores entraram na aldeia e se instalaram em uma das casas, ameaçando os moradores. No dia seguinte, os moradores do Yvytotõ fugiram com medo para outra aldeia na mesma região (aldeia Mariry)”, acrescentou.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) mostrou preocupação com a invasão. “Solicitamos a devida diligência do Estado brasileiro para proteger e prevenir possíveis violações de seus direitos humanos”, disse em uma rede social. No primeiro momento, uma equipe da Fundação Nacional do Índio (Funai) atribuiu a morte do líder indígena a um afogamento causado por ingestão de uma bebida tradicional, durante uma cerimônia.
Neste sábado, o órgão descartou essa possibilidade e confirmou que a causa da morte de Emyra foi a invasão de garimpeiros. “Com base nas informações coletadas pela equipe em campo, podemos concluir que a presença de invasores é real e que o clima de tensão e exaltação na região é alto”, relatou a Funai.
Em nota, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) pediu respeito ao presidente Jair Bolsonaro. “O Cimi exige que o presidente Bolsonaro respeite a Constituição Brasileira e pare imediatamente de fazer discursos preconceituosos, racistas e atentatórios contra os povos originários e seus direitos em nosso país”, disse.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu ao governo que adote as medidas administrativas e judiciais necessárias para “assegurar a integridade física dos integrantes do Povo Indígena Waiãpi” e que sejam apuradas a morte do cacique Emyra Waiãpi e a invasão dos garimpeiros.


