Portal Você Online

ZFM é ponto de partida para economia verde no Amazonas

Plano de Bioeconomia do Amazonas busca tornar uma das regiões mais desiguais do Brasil protagonista em agendas globais de economia sustentável.

O interior do Amazonas é uma das regiões mais desiguais do Brasil, mas também possui uma das maiores biodiversidades do mundo, com potencial de gerar riqueza, sem destruir a floresta amazônica, conforme o estudo “Nova Economia para Amazônia Brasileira (NEA)”.

Diante desta questão, que é um desafio regional que traduz um dos grandes desafios do século XXI – como integrar desenvolvimento econômico e conservação ambiental -, o governo do Estado lançou neste mês de novembro o “Plano de Bioeconomia do Amazonas”.

A nova estratégia integra a infraestrutura da Zona Franca de Manaus (ZFM), que abriga centenas de indústrias e foi criada há quase 60 anos para viabilizar uma base econômica na região amazônica, a um modelo que une a valorização da sociobiodiversidade e a interiorização do desenvolvimento.

O plano, lançado no dia 11 durante um encontro dos secretários estaduais no Hub do Consórcio Interestadual da Amazônia Legal, na COP30, em Belém (PA), traz uma série de eixos e metas de um sistema produtivo e econômico baseado no uso responsável dos recursos biológicos.

Com a finalidade de transformar o modelo econômico do Amazonas em uma estrutura econômica sustentável, o projeto prevê a criação de um modelo “que organiza a produção, o fomento, a distribuição e o consumo de bens e serviços oriundos da sociobiodiversidade, de forma sustentável e regenerativa, integrando ciência e saberes tradicionais, geração de trabalho e renda, justiça social e equilíbrio climático”.

O documento apresenta cinco eixos: governança; descarbonização e energia renovável; pessoas e cultura; ecossistema de negócios e patrimônio cultural e genético. Também define metas, como a criação de 14 redes de conhecimento produtivo, a capacitação de 3 mil pessoas por ano, a expansão de modelos sustentáveis no interior e maior participação de povos indígenas e comunidades tradicionais nas cadeias produtivas.

“O futuro econômico do estado deixará de se apoiar no benefício fiscal e se afirmará no benefício ecológico, climático e social, tornando o Amazonas protagonista da nova economia verde global”, diz o documento de apresentação do plano.

Integração e polos de bioeconomia

Para alcançar este objetivo, o plano prevê conectar a ZFM e o Polo Industrial de Manaus (PIM) ao desenvolvimento sustentável e a criação de Polos de Bioeconomia no interior do Amazonas. Ambas as implementações devem atuar em sinergia.

Em relação à Zona Franca, a ideia é buscar alinhar os incentivos fiscais com processos bioeconômicos e práticas sustentáveis com parcerias de pesquisa entre as empresas instaladas na região e instituições acadêmicas.

O plano busca também criar programas de fomento para startups bioeconômicas e facilitar o acesso de micro e pequenas empresas aos fundos estaduais de apoio empresarial. Outro ponto é o incentivo à regularização fundiária de áreas utilizadas para iniciativas bioeconômicas e a criação de linhas de crédito específicas para projetos envolvidos em ações bioeconômicas.

No caso do PIM, a base é a lei estadual nº 7.725/2025, a qual propõe a criação de Centros de Inovação e Empreendedorismo fora da capital amazonense. Conforme o plano, ela garante “operacionalidade, segurança jurídica e sustentabilidade financeira para a implementação de polos de bioeconomia e inovação”. A lei prioriza a implementação de centros econômicos no interior do Estado.

“Esse modelo aproveitaria as características locais dos 62 municípios amazonenses, promovendo um desenvolvimento inclusivo e sustentável, fundamentado nos recursos naturais e no saber tradicional da Amazônia”, diz o documento.

O plano traça o objetivo de tornar um terço do Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas gerado pela bioeconomia dentro dos próximos dez anos a partir do crescimento nos setores de biotecnologia, agroextrativismo e turismo sustentável. Há ainda a previsão de criação de 200 mil empregos direitos e indiretos em setores sustentáveis e a ampliação da base exportadora do Amazonas, com bioprodutos e insumos naturais.

Cada região do Amazonas terá suas características e capacidade produtivas alinhadas com as práticas de bioeconomia, afirma o documento. Por exemplo, a região do Alto Rio Solimões, que inclui os municípios Amaturá, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Fonte Boa, Jutaí, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Tabatinga e Tonantins, terá como foco o extrativismo sustentável de resinas, óleos essenciais e turismo ecológico.

Já a região do Triângulo — Jutaí, Solimões e Juruá — vai focar no manejo sustentável de peixes, piscicultura e exploração de frutos amazônicos, como o açaí, o camu-camu e o cupuaçu.

Interiorização da economia como transição justa

Conforme o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM 2025), com base em dados de 2023, dos 62 municípios do Amazonas, 57 foram classificados como “críticos”, a faixa mais baixa da lista. Ipixuna apareceu na última posição, com o pior índice de IDH do Brasil. Dos municípios do Amazonas, apenas Manaus foi classificada na faixa “moderada”.

O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Serafim Corrêa, afirmou que o Plano de Bioeconomia do Amazonas foi desenvolvido após um ano de conversas com diversos atores da sociedade civil.

“É um processo de médio a longo prazo. Temos o plano. Agora começam as ações. Vai acontecendo de acordo com as ações de terceiros, dos artesãos, dos povos originários e das prefeituras. Isso é um processo que depende de muita gente”, disse.

De acordo com o chefe da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Bosco Saraiva, é esperado dentro dos próximos dez anos que a cadeia de bioeconomia na Amazônia opere em escala industrial. “Esperamos desenvolver a bioeconomia para aumentar a renda per capita a partir dos processos mais avançados”, afirmou.

Atualmente, a ZFM é o principal motor da economia da região. Criada em 1967, ela é dividida em três grandes frentes: indústria, comércio e agropecuária. O modelo econômico gerou nas últimas décadas milhares de empregos e a consolidação de um parque industrial moderno.

A Constituição de 1988 assegurava a permanência da Zona Franca de Manaus no Art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) até 2023. Por meio da Emenda Constitucional 83/2014, o ADCT foi alterado e estendeu a validade dos benefícios fiscais até 2073.

Fonte: Globo.com

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *