Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Drª Rosemary Costa Pinto realiza visita técnica no município de Iatacoatiara nesta quinta para investigar suspeitas

Cinco casos de rabdomiólise associada à Doença de Haff (mais conhecida como Doença da Urina Preta), estão sendo investigados no município de Itacoatiara (176 km de Manaus). A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) realiza uma visita técnica no município até quinta-feira (30).
A visita técnica tem como objetivo a investigação da doença para identificar possíveis causas e promover o monitoramento das ações realizadas pelo município, devido a três casos notificados de rabdomiólise, dia 17 de junho, e mais dois casos no dia 22 de junho.
O monitoramento é realizado pela equipe do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Amazonas (CIEVS-AM).
Dos cinco casos de rabdomiólise notificados no município, dois receberam alta médica, três seguem internados estáveis. “As pessoas apresentaram relatos distintos sobre a origem do pescado, sendo casos isolados e sem vínculo epidemiológico”, afirma a diretora-presidente da fundação, Tatyana Amorim.
De acordo com a coordenadora do CIEVS, Josielen Amorim, a visita técnica ocorre para poder monitorar os casos e apoiar a Vigilância em Saúde de Itacoatiara.
“Toda a investigação é criteriosa. Então, precisamos acompanhar de perto para fortalecer a investigação e a interpretação do cenário epidemiológico e ambiental da rabdomiólise compatível com a Doença de Haff”, disse Josielen.
Surto
O Amazonas chegou a viver um surto da doença no ano passado, quando o cenário epidemiológico de rabdomiólise foram de 124 casos notificados, em 14 municípios do Amazonas. O documento está disponível no site da instituição: https://bit.ly/31oMG1W.
Do total de notificações a cidade de Itacoatira teve o maior número de casos, 37 infectados, seguindo por Parintins 12, Manaus 6, Urucurituba 4, Silves 3, Maués 2, Autazes 1, Caapiranga 1, Itapiranga 1 e Manacapuru 1.
Morte
Foi também em Itacoatira que ocorreu o primeiro registro de morte rabdomiólise – patologia associada à Doença de Haff, mais conhecida como “doença da urina preta”. Uma mulher de 51 anos morreu, no dia 1 de agosto de 2021, após ser internada no Hospital Regional José Mendes, e era de Vila do Novo Remanso, Zona Rural da cidade. A doença, se não tratada rapidamente, pode levar à insuficiência renal, falência múltipla de órgãos e a morte.
A primeira morte pela doença foi confirmada pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP).
Peixe suspenso
Em novembro do ano passado, diante do aumento de casos da doença a Fundação de Vigilância e Saúde do Amazonas Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), publicou comunicado de risco orientando restrições do consumo de peixe de lagos e rios no município de Itacoatiara – a 250 km por estrada de Manaus – pelos próximos 15 dias.
O comunicado informa que devido às evidências de casos relacionados ao consumo de pescados, a população deve evitar comer Pirapitinga, Pacu e Tambaqui, pescados em rios e lagos, que estão associados ao aumento de casos registrados no município.
A recomendação para os demais municípios é de alertar a rede de saúde para a identificação de possíveis novos casos e orientar a população quanto aos sinais e sintomas da doença.
Força tarefa
Especialistas da Fundação de Vigilância em Saúde – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), e de outros órgãos de saúde do Amazonas chegaram a compor uma força-tarefa em Itacoatiara com o objetivo de investigar as possíveis causas do surto de rabdomiólise, síndrome associada à ‘doença da urina preta’ detectado.
“Essa força-tarefa que estamos articulando com outros órgãos é justamente para gente coordenar uma ação conjunta, por envolver pescadores artesanais, envolver questões relativas à cadeia econômica, mas, principalmente, a saúde pública. Nossa preocupação é com a segurança alimentar e com a saúde da população”, informou o diretor-presidente da FVS-RCP, Cristiano Fernandes, na época.
Rabdomiólise
A rabdomiólise, doença caracterizada pela quebra muscular e liberação dos constituintes das células no sangue. Essa doença pode danificar os rins, que sobrecarregados, não conseguem filtrar os resíduos concentrados na urina, levando à insuficiência renal aguda.
A Doença de Haff é uma síndrome ainda sem causa definida, caracterizada por uma condição clínica que desencadeia o quadro de rabdomiólise com início súbito de rigidez e dores musculares e urina escura.


