
As próximas eleições que serão realizadas em outubro de 2024 deverão ter um custo estimado de pelo menos R$ 45 milhões no Amazonas, se for levado em consideração o aumento proporcional dos valores dos pleitos no período de seis anos, referente às quatro últimas disputas no estado.
Se compararmos os valores das últimas duas eleições municipais e também das últimas eleições gerais, é possível identificar que o montante utilizado nos pleitos aumentou em mais de 30% no espaço de uma disputa e outra, ou seja, de 2016 para 2020 e de 2018 para 2022.
Esse valor aumenta ainda mais se a comparação for feita entre o pleito de 2016 e o último, realizado no ano passado, chegando a 119,68% de diferença, um montante de R$ 19.769.273,00 a mais de uma para a outra.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que em agosto deste ano, o plenário do órgão, aprovou a proposta de orçamento da Justiça Eleitoral para o exercício financeiro de 2024, no valor de R$ 11,8 bilhões.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no valor estão incluídas despesas financeiras e primárias obrigatórias e discricionárias do TSE e dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), bem como o montante a ser destinado ao Fundo Partidário.
Com o valor destinado ao Amazonas, a Justiça Eleitoral regional deve arcar com diversos gastos, como alimentação; transporte dos mesários e colaboradores; pagamento de agentes que fazem o trânsito das urnas, assim como equipes de policiais que atuam na segurança do pleito, além de outros serviços.
Números no AM
As eleições municipais de 2016, em que os eleitores escolheram os prefeitos e vereadores de suas cidades, custaram R$ 16.518.760,00 aos cofres públicos somente no Amazonas. Já as de 2020 chegaram a custar R$ 22.396.278,00.
O aumento no período de quatro anos foi de exatamente R$ 5.877.542,00 ou 35,58%.
Na comparação das eleições gerais, momento em que são escolhidos deputados estaduais, federais, senadores, governadores e o presidente da República, o aumento foi de quase R$ 9 milhões.
Em 2018, o pleito amazonense custou aos cofres públicos o montante de R$ 27.806.657,00 e a disputa de 2022 foi, até o momento, a mais cara do estado, chegando ao valor de R$ 36.288.036,00.
A diferença da eleição de 2018 para 2020 é de R$ 8.481.379,00, representando um aumento de 30,50%.
Maior gasto
Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) fez uma estimativa de quanto custaria as eleições de 2024 e foi informou que ainda não há um valor fechado, mas enfatizou que se a seca for igual a deste ano, os gastos com logística, por exemplo, irão aumentar, uma vez que em comunidades que se chegaria de barco será preciso ir de helicóptero.
Todos os dados sobre os custos das eleições de 2016, 2018, 2020 e 2022 citados no texto, foram repassados pela assessoria de comunicação do Tribunal.
Sobre o crescimento dos valores em cada eleição, a comunicação do órgão eleitoral frisou que há um aumento gradual nas despesas, por conta da inflação, citando a de 2022, em que houve um salto devido o aumento dos combustíveis, que fez encarecer os contratos de transporte, por exemplo.
Atualmente, o estado possui 2.647.748 eleitores aptos para votar nas eleições do próximo ano.
Democracia custa caro
Gilson Gil, sociólogo, cientista político, especialista em eleições e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), também pontuou sobre a necessidade do custo elevado dos pleitos no estado.
Para ele a democracia e consequentemente o ato de votar exige muitos recursos financeiros. O cientista citou questões como passagens aéreas, locomoções fluviais, deslocamento de urnas, gastos com alimentação, internet, fiscais, policiais e outros.
O professor enfatizou ainda, que a eleição de 2024 será cara, bem acima da última e até ‘cravou’ que o pleito no Amazonas será mais caro do que em outros estados, devido às deficiências de logística da região.
“O eleitor do interior precisa da eleição, mas, por outro lado, o custo desse esforço é cada vez maior. Seca, estiagem, falta de modais rodoviários, preço do combustível aéreo, tudo isso serve pra encarecer demais a nossa eleição, em especial no interior. Podemos acreditar que essa eleição será muito dura para os cofres públicos, consequentemente, para o contribuinte”, concluiu o especialista.


