
Dezesseis pessoas que foram alvo da Operação Erga Omnes, da Polícia Civil do Amazonas, em fevereiro deste ano foram denunciadas nesta quarta-feira (13) pelo MP-AM (Ministério Público do Amazonas) por formação de organização criminosa, tráfico e associação para o tráfico, corrupção, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional.
De acordo com o Ministério Público, eles integravam uma “complexa e estruturada organização criminosa” que atuava como braço operacional da facção “Comando Vermelho” em Manaus.
“O grupo articulou uma rede multifacetada que transcendia a traficância ordinária, estabelecendo esquemas de corrupção de advogados e agentes públicos, violação de sigilo funcional e uma sofisticada engenharia financeira para a lavagem de capitais e ocultação de patrimônio”, diz trecho da denúncia.
A denúncia tem como base uma investigação que começou em agosto de 2025, após policiais militares apreenderem 523 tabletes de skunk, sete fuzis, duas lanchas e um veículo, em um porto clandestino no bairro Educandos, na zona sul de Manaus. Na ocasião, policiais militares trocaram tiros com criminosos e prenderam apenas Bruno Alexandre da Silva Candeira. A partir de Bruno, a polícia chegou aos demais integrantes do grupo.
Segundo a polícia, o grupo era liderado por Allan Kleber Bezerra Lima, que controla as empresas AFS Pinho, AKB Lima e S&D Vans. O MP afirma que é integrante da facção e que usava as empresas para camuflar transferências bancárias destinadas ao financiamento do tráfico e ao pagamento de propinas.
O MP afirma que Allan “detinha o domínio do fato e o controle finalístico de todas as operações, por meio da coordenação das ações dos demais agentes, rotas de tráfico, gestão das empresas de fachada e ordenação do corrompimento de agentes públicos”.

O MP acusa a advogada Núbia Rafaela Silva de Oliveira e a sócia dela, Lucila Meireles Costa, de atuar “como elo entre o crime organizado” e o servidor do TJAM, Izaldir Moreno Barros, que é denunciado por receber propina para vazar a elas informações de processos sigilosos.
De acordo com a denúncia, o grupo tinha oito núcleos: comando, operacional, lavagem de capitais e operadores financeiros infiltração no Poder Judiciário, agentes públicos e apoio interestadual. Estes dois últimos ainda estão sendo investigados.
O número de comando era composto apenas por Allan. Enquanto o núcleo operacional era composto por seis pessoas:
- Bruno Alexandre da Silva Candeira;
- Messias Daniel da Silva Alves;
- Luana Ferreira Tavares;
- Daniel da Silva Sansereth;
- Carlos Victor Vieira da Silva;
- Heberton Pereira Moraes (falecido)
De acordo com o MP, seis pessoas eram responsáveis por conferir aparência de licitude aos ativos provenientes do tráfico de drogas, por meio de empresas de fachadas e transações financeiras.
- Antônia Fabiane Silva Pinho;
- Patrícia Chagas Bezerra;
- Josafá de Figueiredo Silva;
- Bruno Renato Gatinho Araújo;
- Ronilson Xisto Jordão;
- Osimar Vieira Nascimento
Quatro pessoas foram denunciadas por integrar o núcleo de infiltração no Poder Judiciário. Segundo o MP, eles pagaram o propina ao servidor Izaldir, que atuava para obter dados sigilosos de processos em segredo de Justiça. O MP afirma que isso permitia que a organização pudesse agir antecipadamente.
- Núbia Rafaela Silva de Oliveira;
- Lucila Meireles Costa;
- Adriana Almeida Lima;
- Izaldir Moreno Barros
Sobre os núcleos “agentes públicos” e “apoio interestadual”, o Ministério Público afirma que identificou transações milionárias e expressivas que “apontam para o envolvimento com o tráfico de drogas, organização criminosa, entre outros crimes”. Os fatos ainda estão em investigação.
“Contudo, as diligência e análises ainda estão em andamento, havendo a necessidade de postergar o oferecimento de denúncia em relação a esses agentes para após o encerramento das análises”, diz a denúncia.
Em fevereiro deste ano, o delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia, afirmou que os suspeitos atuavam na logística do tráfico de drogas que eram compradas na Colômbia e os valores eram movimentados por empresas de fachada no Amazonas e no Pará. Elas simulavam atividades legítimas de logística, mas na prática movimentavam drogas para vários estados.


