
Apesar das fotografias de lua de mel com Lula, o presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a criticar a atual redação do acordo Mercosul-União Europeia e a desatualização do tratado em relação às diretrizes de sustentabilidade, apesar da insistência de seu anfitrião brasileiro em colocar o assunto em pauta.
Pressionado pelos agricultores franceses que veem no agronegócio brasileiro uma ameaça a seus produtos na Europa, o francês defendeu seu país, ao contrário de Lula, que chamou o agro nacional de “conservador e latifundiário.
Na avaliação do líder francês, que usa o meio ambiente como escudo, o país não é “louco” de fechar um tratado que contempla pontos divergentes em relação à atual política da nação europeia.
“Esses acordos são um freio em relação a o que estamos fazendo para retirar o carbono das economias e para lutar em prol da biodiversidade. Nós, europeus, temos o texto mais exigente do mundo em relação a desmatamento e descarbonização”, disse em declaração à imprensa após reunião bilateral com o presidente Lula.
“Pedimos aos nossos agricultores, industriais que façam transformações históricas. Mas se os nossos textos dizem: ‘Vamos abrir para produtos que não respeitam estes acordos’? Somos loucos? Não vai funcionar”, acrescentou o líder francês, que convive com os produtos franceses que não respeitam a resoluções ambientais.
Macron reiterou a crítica e disse que “somos todos loucos” pelo fato de ambos os blocos insistirem em acordos como eram feitos há anos.
“Quero recordar aqui que esse texto entre União Europeia e Mercosul é de um acordo negociado e preparado há 20 anos. Estamos só fazendo pequenas alterações. Estamos loucos continuando nessa lógica e paralelamente dizendo no G20 e na COP, biodiversidade, vamos fazer isso, fazer aquilo”, afirmou.


