
A indústria de bicicletas do PIM começou o ano pedalando mais fraco, mas mantém a expectativa de retomada. A quantidade de ‘bikes’ entregues pelo Polo Industrial de Manaus ao atacado somou 19.028 unidades em janeiro, resultado 18,9% inferior ao registado no mesmo mês do ano passado (23.472).
Foi o menor número para o mês, nos últimos oito anos. Houve, no entanto, uma escalada de 84% sobre dezembro (10.339), que costuma ser sazonalmente mais fraco, em função de férias coletivas e ajustes operacionais. Os números foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares).
“O avanço em relação a dezembro está associado à recomposição dos estoques e à normalização do ritmo de produção, após o período de fim de ano. Ainda assim, a comparação anual indica que o subsetor permanece atento ao comportamento do consumidor e confiante na evolução do mercado”, pontuou o vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, Fernando Rocha, em texto veiculado pela assessoria de imprensa da entidade.
Apesar do tropeço, o segmento ainda espera deixar para trás quatro anos consecutivos de queda de produção para emplacar seu primeiro desempenho positivo desde 2021 – o segundo ano da pandemia de covid-19. O incremento projetado para 2026 é de 4,3%, com 350.000 unidades fabricadas.
Caso confirmado, o desempenho ainda terá ficado abaixo do registrado em 2024 (351.400), já que o momento ainda é de recuperação gradual para as montadoras. A produção do ano passado foi de 335.560 bicicletas, configurando recuo de 4,51%, embora o placar tenha superado as estimativas da Abraciclo.
A indústria de bicicletas nacional tem no Polo Industrial de Manaus quase 40% da oferta brasileira, representada por quatro fabricantes: Caloi, Sense Bike, Oggi Bikes e Houston Bike. Neste ano, como nos mais recentes, as apostas se concentram principalmente na categoria de e-bikes que, embora seja voltada para um público de maior renda, registrou crescimento de 107,9% na variação anual de janeiro, acompanhando a tendência dos últimos meses.
MTB x Elétricas
O Sudeste continuou recebendo o maior volume de bicicletas fabricadas no PIM em janeiro, refletindo seu peso econômico e populacional, além da forte demanda por bicicletas urbanas e elétricas. A região respondeu por 59,7% da demanda, totalizando 11.365 unidades, sendo acompanhado à distância pelo Sul (16,1%), Centro-Oeste (9,7%), Nordeste (8,6%) e Norte (5,9%) – a única a amargar queda em relação a 2024 (29.400). O Sudeste (62,5%) e o Sul (13,4%) mantiveram a dianteira no ranking de dezembro, com o Centro-Oeste (10,4%), o Nordeste (10,1%) e o Norte (3,6%) ocupando as demais colocações.
A base de dados da Abraciclo confirma que o mercado brasileiro continua vendendo mais bicicletas tipo Moutain Bike, embora categorias minoritárias comecem a abrir mais espaço. Assim como nos meses anteriores, a MTB liderou o ranking de janeiro, com 40,1% da oferta e 7.635 unidades.
O escore, contudo, foi 44,1% mais fraco do que o de um ano atrás (59% e 13.838). Foi seguida pela Infanto-Juvenil (21% e 4.001), Urbana/Lazer (18,9% e 3.440), Elétrica (17,9% e 3.414) e Estrada/Gravel (2,9% e 538). Somente as categorias Elétrica (+107,9%) e Infanto-Juvenil (+52,1%) conseguiram expansão, no confronto com janeiro de 2025.
Durante a coletiva de janeiro, o vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, informou que o crescimento das “bicicletas analógicas” tem se concentrado nos produtos de entrada e de menor valor agregado, enquanto os modelos Speed/Gravel vêm conseguindo mais espaço no mercado.
Em paralelo, há a expansão exponencial das vendas de veículos eletrificados no mercado nacional, em sintonia com a tendência global de busca por soluções mais sustentáveis e eficientes para deslocamentos nas cidades.
“Há uma redução na participação da Moutain Bike no mercado. Nos próximos anos, devemos ver isso acontecer também da categoria Urbana/Lazer e Elétrica. E muito disso ocorre em função de uma migração para o segmento de bicicletas elétricas. A tendência é o consumidor sair das bicicletas analógicas em favor das eletrificadas. A categoria Elétrica, que começou com participação de 1,4% em 2021, aumentou seu share de 5,4% para 14%, entre 2024 e 2025. Isso dá um crescimento anual de 144%, com 44 modelos disponibilizados pelas associadas”, comparou.
Importações e exportações
Durante a coletiva, o vice-presidente do Segmento de Bicicletas da Abraciclo assinalou que 2026 traz muitas oportunidades para o segmento, além de “leves sinais de recuperação e crescimento”. Fernando Rocha reforça que esse cenário, que beneficia principalmente os produtos eletrificados, é traçado pelas mudanças de comportamento do consumidor, principalmente a partir do período pós-pandemia.
Na mesma oportunidade, frisou que o cenário de 2026 ainda apresenta desafios conjunturais e estruturais. Os números mais recentes do Mdic, disponibilizados no portal dão uma mostra das dificuldades, embora sinalizem melhora, ainda que pontual. O mercado brasileiro fechou 2025 com uma decolagem de 55,93% na entrada de produtos importados (US$ 19.99 milhões), vindos principalmente de Taiwan, China, Camboja e Vietnã.
As vendas externas (US$ 3.73 milhões) desabaram 38,60%, sendo direcionadas especialmente para Argentina, Uruguai e Paraguai. O país, entretanto, recebeu bicicletas 813.474 importadas em janeiro, 18,93% a menos do que em igual mês do ano passado. Já as exportações (54.211) escalaram 149,58%.


