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Mudança em sistema da Receita faz 257 mil caírem na malha fina; como evitar problemas

A adoção do novo modelo de cruzamento de dados da Receita Federal em 2026 resultou na retenção de um número elevado de declarações do Imposto de Renda. A mudança substituiu a antiga Dirf por sistemas como eSocial e EFD-Reinf, com a proposta de integrar informações e tornar o processo mais automatizado.

Até 23 de abril, mais de 1 milhão de declarações foram retidas para análise, o que representa 6,96% do total enviado. Dentro desse universo, cerca de 257 mil contribuintes foram afetados diretamente por inconsistências associadas ao novo sistema. Os registros indicam que boa parte das ocorrências envolve declarações pré-preenchidas, nas quais os dados dependem das informações fornecidas por empresas e outras fontes pagadoras.

As divergências entre os valores informados nos sistemas e os informes de rendimentos entregues aos contribuintes levaram à retenção automática das declarações. Em muitos casos, não foram identificadas irregularidades por parte dos declarantes, mas sim inconsistências nos dados transmitidos.

A Receita Federal informou que reconhece a existência de falhas operacionais e que realiza ajustes para correção das informações. A expectativa é que parte das declarações seja liberada automaticamente após a atualização das bases de dados.

A recomendação aos contribuintes é verificar os informes de rendimentos e, se houver diferenças, entrar em contato com as fontes pagadoras para solicitar correções. O novo modelo exige maior precisão no envio das informações, o que tem ampliado a necessidade de conferência tanto por empresas quanto por pessoas físicas.

O que é a malha fina?

A chamada malha fina é um processo automatizado de verificação. O sistema compara as informações declaradas pelo contribuinte com dados enviados por empresas, bancos, planos de saúde e outros órgãos.

“Se há divergência entre o que você declarou e o que foi informado por terceiros, a declaração pode ser retida para análise”, afirmou o supervisor nacional do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), José Carlos Fonseca.

Hoje, esse cruzamento é feito com base em sistemas como o eSocial e a EFD-Reinf, que substituíram a antiga DIRF. Isso ampliou o volume de dados e também o número inicial de retenções.

Segundo a Receita Federal, cerca de 6% das declarações caíram na malha em 2026, um leve aumento em relação ao ano anterior. Ainda assim, há um dado importante: cerca de 80% das pendências são resolvidas automaticamente ao longo do ano, seja por correção do contribuinte ou das fontes pagadoras.

Por que caí na malha fina?

As pessoas geralmente caem na malha fina por erros simples — e, na maioria das vezes, evitáveis.

Entre os principais motivos estão a diferença entre o informe de rendimentos e o valor declarado, a omissão de rendimentos, a inclusão de despesas médicas sem comprovação ou com valores incorretos, a falta de informação sobre reembolsos de planos de saúde, o uso indevido de dependentes ou de pensão alimentícia e também erros relacionados a rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). 

Como alertou o supervisor nacional do Imposto de Renda, “não é só bater o valor”. “Existem várias análises mais profundas sobre o perfil da operação e do contribuinte”, acrescentou.

Nem sempre o erro é do contribuinte. Muitas retenções ocorrem por falhas de empresas ao informar dados. “A Receita não inventa informação. Se aparece um valor diferente, alguém informou errado – ou o contribuinte, ou a fonte pagadora”, explicou Fonseca. 

Ou seja, se o contribuinte declarou as informações corretamente, é importante conferir as informações enviadas pela empresa e, se necessário, solicitar a correção à empresa.

O que fazer se cair na malha fina?

Ao cair na malha, a declaração fica retida para verificação. O contribuinte pode:

  • Corrigir a declaração (retificar), se identificar erro;
  • Aguardar a análise automática, caso esteja correto;
  • Enviar documentos antecipadamente, pelo portal da Receita.

“Se você tiver certeza de que está correto, pode apresentar os documentos — mas envie tudo, não apenas o que aparece na pendência”, orientou Maurício.

Caso a Receita envie uma intimação formal, a retificação fica bloqueada, e o processo passa a exigir resposta documental.

Como evitar a malha fina

A Receita Federal reforça algumas boas práticas:

Use a declaração pré-preenchida: ela já traz dados informados por terceiros e reduz erros iniciais.

Declare apenas o que pode comprovar: “Se o comprovante diz uma coisa e a pré-preenchida diz outra, vá pelo comprovante”, destacou José Carlos.

Revise despesas médicas com atenção: inclua apenas valores sem reembolso e com documentação válida.

Confira pensão alimentícia e dependentes: erros nesses itens são frequentes e geram retenção.

Atualize seus dados cadastrais: endereço e contato corretos evitam perda de notificações.

Guarde todos os documentos por 5 anos: mesmo após a liberação da declaração, ela pode ser revisada.

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