
O Amazonas teve, em 2024, uma taxa de sub-registro de nascidos vivos de 4,4%, segundo dados divulgados nesta terça-feira (20) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O percentual é mais de quatro vezes superior à média nacional, de 0,9%. O termo sub-registro é utilizado para indicar nascimentos que ocorreram, mas não foram registrados em cartório dentro do prazo legal, ficando fora das estatísticas oficiais.
De acordo com o levantamento, o estado teve aproximadamente 66,3 mil nascidos vivos em 2024. Com base nesse total, estima-se que cerca de 2,9 mil crianças possam não ter sido registradas no período adequado. O índice também ficou acima da média da Região Norte, de 3,5%, e só foi menor que os registrados em Roraima (13,9%) e Amapá (5,8%).
Os dados indicam que o problema é mais frequente em municípios do interior, especialmente em localidades de difícil acesso. Barcelos apresentou o maior percentual estimado de sub-registro de nascimentos no estado, com 29,7%. Em seguida aparecem Santa Isabel do Rio Negro (16,9%) e Manacapuru (14,8%). Também tiveram índices elevados Itapiranga (13,4%), Atalaia do Norte (13,2%) e Maraã (13,0%).
Em números absolutos, Manaus concentrou o maior número de nascimentos do estado, com cerca de 31 mil registros em 2024.
O estudo também mostra que o sub-registro é mais elevado entre mães mais jovens. Entre adolescentes com menos de 15 anos, a taxa chegou a 14,6%, a maior entre todas as faixas etárias analisadas. Entre mães de 15 a 19 anos, o percentual foi de 6,9%, ainda acima da média estadual.
Sub-registro de óbitos
Além dos nascimentos, o IBGE apontou que o sub-registro de óbitos no Amazonas atingiu 8,8% em 2024, percentual superior à média brasileira, de 3,4%. O estado registrou aproximadamente 20,5 mil mortes no período, o que indica que cerca de 1,8 mil óbitos podem não ter sido formalizados no prazo legal.
Entre os municípios amazonenses, Barcelos apresentou novamente o maior índice, com 50,2%, seguido por Japurá (50,1%) e Manacapuru (44,5%).
O cenário é ainda mais preocupante entre crianças menores de 1 ano. Nesse grupo, o sub-registro de óbitos chegou a 19%, percentual superior ao índice nacional, de 10,8%. Já na faixa etária de 10 a 14 anos, a taxa alcançou 21,5%, a maior entre todos os grupos analisados.
Segundo o IBGE, as estimativas são elaboradas a partir do cruzamento de informações dos cartórios de registro civil com bases do Ministério da Saúde e ajudam a identificar falhas no registro de nascimentos e mortes, fornecendo subsídios para políticas públicas e para o aprimoramento das estatísticas oficiais.


