Portal Você Online

Deolane e Marcola denunciados por esquema de lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo denunciou Deolane Bezerra e Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC (Primeiro Comando da Capital), pelo esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa investigado na Operação Vérnix.

A denúncia foi apresentada à justiça nesta quarta-feira (10). Além de Marcola e Deolane, que foi presa na operação no último dia 21 de maio, também foram denunciados Alejandro Camacho (“Marcolinha”), Everton de Souza, Leonardo Camacho e Paloma Camacho, os dois sobrinhos do chefe do PCC.

No dia 29 de maio, após a conclusão do relatório final da operação que prendeu Deolane, a Polícia Civil indiciou os investigados. A denúncia do MP, apresentada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Presidente Prudente, era o último passo antes do possível início da ação penal contra os acusados. 

Caso a justiça aceite a denúncia, Deolane, Marcola e seus familiares virarão réus pelos crimes. A defesa da família de Marcola disse à CNN Brasil que ainda não teve acesso à denúncia.

Em nota, a defesa de Deolane também afirmou que ainda não teve acesso à acusação. Leia na íntegra:

“A defesa de Deolane Bezerra, patrocinada pelos advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha, Rogério Nunes e Luiz Ricardo Imparato, lamenta a divulgação antecipada da denúncia na imprensa. A defesa ainda não teve acesso a acusação e tão logo for citada, apresentará a devida resposta, reafirmando que Deolane não faz parte de nenhuma organização criminosa e tampouco cometeu qualquer crime, o que será provado ao longo do processo”. 

A reportagem tenta contato com os representantes de Everton de Souza para um posicionamento.

Nesta terça-feira (9), a Quinta Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça), por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental no habeas corpus impetrado pela defesa da influenciadora, que solicitava a revogação da prisão preventiva da advogada e a conversão para prisão domiciliar.

Entenda a investigação

A Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil e pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo), prendeu Deolane no dia 21, após a identificação de sua participação nas ações criminosas.

A investigação começou em 2019 dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista, que identificou atuações de lavagem de dinheiro coordenadas pelo PCC.

Agentes da Polícia Penal apreenderam bilhetes e manuscritos no interior da penitenciária, que estavam com dois presos. Os conteúdos dos materiais revelaram algumas dinâmicas internas da facção, como atuação de lideranças encarceradas e possíveis ataques contra agentes públicos.

Deolane mantinha vínculos pessoais e negociais com membros do PCC e um dos gestores fantasmas da transportadora Lopes Lemos Transportadora Ltda, de nome fantasma “Lado a lado”, também investigada.

O papel de Deolane

Segundo os investigadores, Deolane tinha estreitos vínculos pessoais e negociais com um dos gestores fantasmas da transportadora investigada.

As apurações apontam que a influenciadora passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando do PCC.

Os levantamentos mostraram o uso de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão.

Para os investigadores, a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.

A investigação também identificou o uso de estruturas empresariais e patrimoniais sucessivas, mecanismo que teria como finalidade dificultar o rastreamento da origem, circulação e destinação dos recursos.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *