
Paulo ofereceu nesta quarta-feira (10) denúncia contra a influenciadora Deolane Bezerra e Marco Herbas Camanho, o Marcola, apontado como chefe do PCC, em um suposto esquema de lavagem que foi revelado pela operação Vérnix, deflagrada em maio.
Também foram denunciados parentes de Marcola. Segundo a investigação, Deolane teria recebido valores provenientes da facção criminosa por meio de uma empresa de transportes apontada como braço financeiro da cúpula da facção.
Agora a Justiça deve decidir se aceita ou não a denúncia. A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro baseado na transportadora de cargas, sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista, apontada como controlada pela cúpula do PCC. A estrutura teria funcionado entre 2018 e 2025.
Em nota, a defesa de Deolane afirma que ainda não teve acesso à acusação e reafirma que a influenciadora “não faz parte de organização criminosa e tampouco cometeu qualquer crime, o que será comprovado ao longo do processo”.
Além de Deolane e Marcola, foram denunciados também Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior (vulgo “Marcolinha” ou “Gordão”), irmão de Marcola; Everton de Souza; Leronardo Herbas Camacho, sobrinho de Marcola e Paloma Sanches Camacho, sobrinha de Marcola.
Segundo o inquérito, a investigação identificou movimentações incompatíveis com a renda formal declarada pela influenciadora, incluindo circulação de valores milionários, recebimentos sem origem esclarecida e aquisição de bens de alto padrão.
Os investigadores afirmam que a projeção pública e a atividade empresarial formal eram usadas como “camadas de aparente legalidade” para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.
O cruzamento de provas apreendidas com relatórios financeiros levou a polícia a apontar Deolane como recebedora de dinheiro proveniente do PCC. Parte das movimentações ocorria por meio de depósitos em espécie feitos a partir do caixa da facção, segundo a investigação.
Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil — prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar rastreamento financeiro.
A análise bancária não identificou pagamentos compatíveis com os supostos créditos mencionados nas transferências. Para a polícia, isso indica ocultação e dissimulação de recursos ligados ao PCC. A investigação também afirma não ter encontrado prestação de serviços jurídicos que justificasse os valores recebidos pela influenciadora.
Na terça-feira (9) o Supremo Tribunal de Justiça negou o pedido de liberdade de Deolane Bezerra. Por unanimidade, os ministros entenderam que o caso exige uma análise mais profunda, em razão da “gravidade” da apuração, e por isso é necessário aguardar que o Tribunal de Justiça de São Paulo se manifeste sobre os pedidos da defesa. O colegiado expediu uma recomendação para que a Corte estadual analise o caso com “celeridade”.
O entendimento do STJ foi o de que a decisão liminar do TJ-SP que manteve Deolane presa tem que ser mantida, vez que a Corte estadual ainda não analisou o mérito dos argumentos lá apresentados pela defesa. O relator do caso na Corte superior, ministro Ribeiro Dantas, afirmou que não há ilegalidade, na decisão do tribunal paulista, que justificaria um “pronunciamento antecipado” do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema.
Quem é quem
- Deolane Bezerra: Deolane ganhou projeção nacional em 2021, após a morte de MC Kevin, de quem era noiva. Antes da fama, ela atuava como advogada criminalista e, com a repercussão do caso envolvendo MC Kevin, ampliou a atuação como influenciadora digital, participou de programas de TV e passou a ter forte presença no universo das apostas on-line. Ela já havia sido presa em 2024 pela Polícia Civil de Pernambuco durante uma operação contra uma organização investigada por lavagem de dinheiro e jogos ilegais.
- Everton de Souza (ou “Player”): É apontado como o operador financeiro da organização criminosa. Em mensagens interceptadas pelos investigadores, ele aparece dando orientações sobre distribuição de dinheiro e indicando para quais contas os recursos deveriam ser transferidos.
- Marco Willian Herbas Camacho (vulgo “Marcola” ou “Narigudo”): É apontado como o líder máximo do PCC. Mesmo isolado no sistema penitenciário federal, figura como beneficiário e controlador indireto do esquema de lavagem de dinheiro operado pela transportadora Lado a Lado.
- Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior (vulgo “Marcolinha” ou “Gordão”): Irmão de Marcola. É apontado como um dos proprietários da transportadora utilizada para lavagem de dinheiro e exercia controle decisório direto mesmo preso.
- Paloma Sanches Herbas Camacho: Sobrinha de Marcola e filha de Alejandro. Atuava como mensageira da cúpula, repassando ordens financeiras de seu pai para os operadores do esquema após visitas à penitenciária federal.
- Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho (vulgo “L”): Sobrinho de Marcola e filho de Alejandro. Identificado como beneficiário direto dos lucros da transportadora e de depósitos em espécie não identificados.


