
O vilarejo de Barranco Minas, na Colômbia, representou mais do que um refúgio seguro contra a polícia para o traficante brasileiro Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. De acordo com investigações oficiais, a localidade tornou-se o quartel-general ideal para a expansão internacional de suas operações criminosas, consolidando uma aliança direta com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
Segundo a denúncia formal do Ministério Público da Colômbia — baseada em relatórios de inteligência da agência de combate às drogas dos Estados Unidos (DEA) —, Beira-Mar estruturou uma rede organizada para o tráfico de alcaloides na região. O diferencial do esquema estava na moeda de troca: além de vultosas quantias em dinheiro, o brasileiro recebia armamentos e munições de grosso calibre. O arsenal era repassado à guerrilha em troca do fornecimento contínuo de cocaína.
A engrenagem do pacto entre o brasileiro e os guerrilheiros foi detalhada a partir de uma prova crucial: uma agenda apreendida com Eugenio Vargas Perdomo, conhecido como “Carlos Bolas”, então administrador das FARC na região de Barranco Minas. O caderno continha anotações minuciosas sobre a contabilidade do crime e a aquisição das drogas. A autoria dos manuscritos foi confirmada por meio de perícia grafotécnica e pelo depoimento de Elisete da Silva Lira, ex-mulher de Beira-Mar, que reconheceu a caligrafia do traficante.
O cerco aos líderes do esquema se fechou nos anos seguintes. Carlos Bolas foi capturado no Suriname em 2002 e, posteriormente, extraditado para os Estados Unidos, onde respondeu por crimes federais. Já Fernandinho Beira-Mar, após ser preso em solo colombiano em 2001, cumpre pena sob regime de segurança máxima na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná.


