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Diocese descarta acordo e exige desocupação do Bar do Armando

O tradicional Bar do Armando, que funciona há 63 anos no Largo de São Sebastião, no Centro de Manaus, terá que desocupar o imóvel onde está instalado. N esta terça-feira (14), o bispo dom Adolfo Zon Pereira, representante da Diocese do Alto Solimões — proprietária do imóvel —, descartou qualquer possibilidade de acordo para a permanência do estabelecimento no local.

A manifestação da Igreja ocorre após o trânsito em julgado do processo, que põe fim a uma disputa jurídica que se arrastava por quase uma década. “A posição da Diocese é a posição da Justiça. Foram 9 anos na justiça e agora a justiça se pronunciou definitivamente. Não tenho nada mais a manifestar”, declarou o bispo, enfatizando que a instituição cumprirá integralmente a ordem de despejo.

Família faz apelo e nega usucapião

Na segunda-feira (13), a administradora e herdeira do bar, Ana Cláudia Soeiro Soares, convocou uma coletiva de imprensa para esclarecer a situação. Emocionada, ela admitiu que todos os recursos jurídicos para tentar reverter a desocupação foram esgotados e fez um apelo público para que a população apoie a permanência do bar no endereço histórico.

Durante a coletiva, Ana Cláudia rebateu boatos sobre as intenções da família em relação à propriedade do imóvel:

“Desafio qualquer pessoa a provar que algum membro da minha família entrou com ação de usucapião. Nunca fizemos isso. Sempre reconhecemos que o imóvel pertence à Diocese. Além de não caber juridicamente, nunca consideramos que seria a atitude correta.”

Entenda o imbróglio jurídico

De acordo com o advogado da família, Fausto Ventura, o conflito legal teve início em 2015, quando a Diocese do Alto Solimões notificou os responsáveis a deixarem o prédio. Na época, chegou a ser firmado um novo contrato de locação com validade de dois anos.

No entanto, a defesa argumenta que o documento possuía cláusulas abusivas, o que motivou a família a entrar com uma ação renovatória para assegurar a continuidade do negócio. Em resposta, no ano de 2017, a Diocese ingressou com uma ação de despejo alegando a necessidade de retomada do imóvel para uso próprio — tese que acabou saindo vitoriosa nos tribunais.

Patrimônio Cultural do Amazonas

Fundado na década de 1960, o Bar do Armando transcendeu o status de um simples comércio para se tornar um dos principais marcos boêmios e intelectuais da capital amazonense.

  • Reconhecimento oficial: Desde 2015, o bar é chancelado como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas.
  • Carnaval tradicional: O local também é o berço da famosa Banda da Bica, agremiação carnavalesca tradicional que, de igual modo, detém o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Estado.

Ainda não há informações sobre os próximos passos da gerência do bar quanto a uma possível mudança de endereço ou sobre a data limite para a entrega definitiva das chaves à Diocese.

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