

As compras externas de insumos destinados ao Polo Industrial de Manaus (PIM) alcançaram US$ 1,4 bilhão em maio de 2026, registrando uma alta de 9,2% em comparação ao mês anterior. O avanço robusto consolida a capital amazonense como um dos principais hubs nacionais de importação para a indústria de transformação e serve como um forte indicador antecedente de que as fábricas estão acelerando o ritmo para os próximos meses.
Os dados são do Painel da Economia Amazonense (PEA), estudo mensal elaborado pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM). Segundo o levantamento, a curva de crescimento foi transversal, impactando positivamente os principais segmentos locais, com destaque para os setores termoplástico, químico e mecânico.
Termômetro da produção e confiança do setor
Na dinâmica industrial, o aumento na aquisição de matérias-primas e componentes estrangeiros funciona como um termômetro confiável para o planejamento das marcas.
“Quando as importações de insumos crescem, isso demonstra que as empresas estão se preparando para ampliar ou manter seus níveis de produção. É um movimento que antecede a fabricação, o faturamento e a geração de empregos, indicando confiança na continuidade da atividade industrial”, explica André Ricardo Costa, coordenador do PEA.
Motos e eletroeletrônicos puxam a arrancada de 2026
O apetite por insumos importados acompanha o excelente momento operacional de setores-chave do PIM ao longo do primeiro quadrimestre de 2026. A diversificação da indústria amazonense tem se mostrado um diferencial competitivo:
- Duas Rodas: A produção de motocicletas avançou 12,1% na comparação anual. O volume de vendas disparou impressionantes 62,8%, resultando em um faturamento 12,6% maior.
- Linha Marrom (Televisores): Registrou expansão consistente em faturamento, vendas e volume produzido.
- Eletrodomésticos (Micro-ondas): Consolidou uma das maiores altas proporcionais do período, com expansão de 16,1% no faturamento.
Indicadores econômicos confirmam o otimismo
A evolução das fábricas encontra eco em outros índices macroeconômicos da região. Em abril, o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR-AM), calculado pelo Banco Central, apontou crescimento de 1% em relação ao mesmo período do ano passado (com ajuste sazonal).
Aliado a isso, o Índice de Confiança da Indústria do Amazonas (ICEI-AM) atingiu 58 pontos — posicionando-se confortavelmente no campo otimista e superando a média de confiança do cenário nacional. A combinação de faturamento estável, recomposição de estoques e confiança do empresariado pavimenta um caminho sólido para o segundo semestre.
O impacto socioambiental do Polo Industrial
Além do aspecto econômico, os resultados reforçam a importância do modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) para o desenvolvimento sustentável da região norte. Criada em 1967, a ZFM abriga hoje cerca de 600 empresas no PIM.
O estado do Amazonas contabiliza atualmente 578.208 empregos formais, dos quais 134 mil são postos diretos no Polo Industrial. Essa concentração de atividade econômica urbana viabiliza a preservação de 97% da cobertura florestal nativa do estado. Em termos financeiros, o modelo devolve aos cofres públicos federais mais da metade da riqueza que produz, tendo encerrado o ano de 2025 com faturamento recorde de R$ 228 bilhões.


