Parecer técnico da defesa sustenta que houve quebra da cadeia de custódia, ausência de lacração de provas, falhas na perícia de celulares, exames toxicológicos e medicamentos apreendidos.

A defesa de Cleusimar Cardoso, Ademar Cardoso e Verônica Seixas anunciou que vai recorrer da sentença emitida pelo Juízo competente no âmbito da Operação Mandrágora. Em nota oficial assinada pelos advogados Lenilson Ferreira e Juliano Negreiros, do escritório Ferreira Advocacia, os defensores sustentam que a decisão não refletiu a correta valoração do conjunto probatório e que há fundamentos jurídicos sólidos para a revisão do caso no Tribunal.
O processo apurou o funcionamento de um esquema de tráfico ilícito de cetamina — anestésico veterinário de alto risco quando aplicado em humanos — e a atuação da seita religiosa “Pai, Mãe, Vida”.
Alegação de quebra na cadeia de custódia
- Equipamentos Eletrônicos: Aparelhos celulares e dispositivos apreendidos teriam sido manuseados sem o cumprimento da cadeia formal de custódia, com ausência de termos individuais de lacração, registros fotográficos, identificação dos responsáveis pela guarda e, em determinados casos, sem os devidos laudos periciais.
- Exames Toxicológicos: O parecer indica falta de registros formais na coleta de material biológico, ausência de documentação de lacração das amostras e inexistência de comprovação da cadeia de guarda entre a coleta e a análise laboratorial.
- Medicamentos Apreendidos: A análise técnica identificou divergências nos procedimentos de apreensão e exames dos medicamentos, apontando a falta de termos de lacração e registros de abertura dos invólucros.
Para os advogados, tais fragilidades comprometem a confiabilidade das provas materiais. A defesa ressaltou a confiança no Poder Judiciário e no princípio do duplo grau de jurisdição, informando que não fará manifestações públicas adicionais e que o debate ocorrerá estritamente nos autos.
Penas e Situação Prisional dos Envolvidos

A sentença fixou penas que variam entre 8 anos e 6 meses e 10 anos e 11 meses de reclusão. A Justiça manteve a prisão preventiva de quatro dos condenados, enquanto três poderão recorrer sob medidas cautelares.
| Réu | Função Apontada na Decisão | Pena Aplicada | Regime | Situação Prisional |
| Cleusimar Cardoso Rodrigues | Mãe de Djidja / Apontada como líder | 10 anos e 11 meses | Fechado | Presa (Sem direito a recorrer em liberdade) |
| Ademar Farias Cardoso Neto | Irmão de Djidja / Principal executor | 10 anos e 11 meses | Fechado | Preso (Sem direito a recorrer em liberdade) |
| José Máximo Silva de Oliveira | Veterinário / Fornecedor da droga via MaxVet | 10 anos e 4 meses | Fechado | Preso (Sem direito a recorrer em liberdade) |
| Hatus Moraes Silveira | Personal trainer / Logística e intermediação | 10 anos e 5 meses | Fechado | Preso (Sem direito a recorrer em liberdade) |
| Verônica da Costa Seixas | Gerente do salão / Aquisição e ocultação | 10 anos | Fechado | Liberdade (com tornozeleira eletrônica) |
| Sávio Soares Pereira | Func. de clínica / Negociação via WhatsApp | 9 anos | Semiaberto | Liberdade (com tornozeleira eletrônica) |
| Bruno Roberto da Silva Lima | Ex-namorado de Djidja / Logística e incentivo | 8 anos e 6 meses | Fechado | Liberdade (com tornozeleira eletrônica) |
Absolvições e o Contexto da Investigação
A Justiça absolveu três investigados por ausência de elementos probatórios suficientes para caracterizar os crimes de tráfico de drogas ou associação para o tráfico:
- Emicley Araújo Freitas (motoboy)
- Claudiele Santos da Silva (maquiadora)
- Marlisson Vasconcelos Dantas (maquiador)
O Esqueletamento do Esquema e o Caso Djidja Cardoso
As investigações da Operação Mandrágora revelaram que a cetamina era obtida ilegalmente junto à clínica veterinária MaxVet. A droga era utilizada em rituais onde os integrantes eram induzidos a acreditar que a substância proporcionava “cura espiritual”. Testemunhas ouvidas no processo relataram ainda situações de cárcere privado e abusos sexuais cometidos contra vítimas dopadas.
O caso ganhou repercussão nacional após a morte de Djidja Cardoso, ex-sinhazinha do Boi Garantido, ocorrida em 28 de maio de 2024. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) indicou que o óbito foi causado por edema cerebral, e a principal linha de investigação policial aponta para overdose de cetamina. Na data do falecimento, frascos da substância foram encontrados enterrados no quintal da residência da família.


