Estado lidera remuneração da Polícia Civil no país, mas acumula vacância de 40% dos cargos e tem menor efetivo penal brasileiro.

O Amazonas vive um paradoxo na segurança pública brasileira. Segundo dados da 2ª edição do relatório Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), nesta quarta-feira (5), o estado lidera o ranking nacional de remuneração para os cargos de escrivão (R$ 24.875,71) e investigador (R$ 25.487,70) da Polícia Civil, além de registrar o segundo maior salário para delegados (R$ 39.826,59). Apesar das altas cifras, o contingente de segurança enfrenta desfalque crítico e escassez territorial.
Na Polícia Civil, 40,1% das 3.155 vagas previstas em lei estão desocupadas, deixando a instituição operando com 59,9% de sua capacidade. O déficit resulta em uma proporção de apenas 0,4 policial civil por mil habitantes — a 26ª posição do país — e uma área média de cobertura de 824 km² por agente, marca agravada pelas dimensões geográficas do estado e muito distante da média nacional de 88 km².
A escassez reflete-se também no sistema penitenciário. O Amazonas registra o menor efetivo absoluto de policiais penais do Brasil, com apenas 39 servidores em atividade — contra mais de 20 mil em São Paulo.
O quadro amazonense decorre de seu modelo de gestão prisional, que combina a terceirização de serviços internos com a atuação da Polícia Militar na segurança das unidades. Segundo o estudo, a situação está relacionada ao modelo de gestão adotado pelo Amazonas. Parte dos serviços das unidades prisionais é feita por empresas privadas, responsáveis por atividades como alimentação, assistência à saúde e rotina interna dos presídios.
Os policiais penais são responsáveis pela custódia de pessoas privadas de liberdade, pela segurança dentro das unidades prisionais e pela escolta de presos. A carreira passou a integrar oficialmente os órgãos de segurança pública do país após a Emenda Constitucional nº 104, de 2019.


