
As altas temperaturas do verão amazônico voltam a pressionar o orçamento do morador de Manaus, mas a conjuntura atual do mercado nacional abriu uma janela estratégica de economia. Antecipando-se ao calorão intensificado pelo fenômeno El Niño, os consumidores manauaras encontram aparelhos de ar-condicionado com descontos de até 17% em relação ao ano passado. O cenário favorável ocorre em virtude das temperaturas mais amenas registradas nas regiões Sul e Sudeste durante o inverno, o que esfriou a demanda nacional e deixou as distribuidoras com estoques cheios.
De acordo com dados do monitoramento da Confi Neotrust, os modelos de 12 mil BTUs — líderes de preferência e essenciais para os ambientes residenciais da capital amazonense — tiveram uma redução média de 14,9% nos preços. Essa deflação momentânea é impulsionada pela combinação de estoques elevados e pela taxa básica de juros (Selic), que encarece o custo do armazenamento para os revendedores, forçando a concessão de descontos no varejo.
Fatores de Risco e Desafios Logísticos no Amazonas
Entretanto, analistas do setor alertam que a janela para compras com valores reduzidos pode fechar rapidamente. A proximidade da seca dos rios Negro e Amazonas gera apreensão na cadeia produtiva instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM), responsável por quase a totalidade da produção nacional de climatizadores. A estiagem severa ameaça restringir a navegabilidade, encarecendo os fretes e dificultando tanto a chegada de insumos importedos quanto o escoamento da produção.
Outros fatores externos também pressionam a estrutura de custos do setor:
- Tensão geopolítica internacional: Eventuais altas no preço do petróleo impactam diretamente os custos de frete internacional e da matéria-prima, como resinas plásticas e embalagens.
- Aumento iminente da demanda: Com o avanço das ondas de calor em direção ao centro-sul, a procura tende a disparar, limitando a capacidade de resposta imediata das fábricas.
Além da economia na aquisição do equipamento, os consumidores locais encontram melhores condições para a contratação dos serviços de instalação e manutenção. Devido ao período de menor procura nacional, técnicos e empresas especializadas têm maior flexibilidade para negociação de valores antes do pico do verão, quando a alta demanda costuma encarecer a mão de obra.


