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Defensoria do Amazonas inicia mapeamento fundiário de comunidades da BR-319 a partir deste domingo

Após a primeira audiência pública do projeto “Gente da 319”, realizada em Manaus, na última quarta-feira (12), a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) avança para as próximas etapas, com o início do mapeamento de terras irregulares e a escuta de moradores que vivem às margens da rodovia.

No km 35 da BR-319 está localizada a comunidade São João, onde Léia Lima, de 58 anos, vive com o marido e os quatro filhos. Ela participou da primeira audiência pública do projeto que levará regularização fundiária para ela e moradores da região. Ansiosa, ela explica que vai aguardar as equipes de atendimento da Defensoria.

“Estamos há mais de 40 anos na área da 319. Nós temos a posse, mas não temos a titulação e, por isso, viemos todos para a primeira audiência pública e estaremos em todas as outras”, ressaltou.

Além do papel de esposa e mãe, Léia também lidera o “Coletivo de Mulheres Agricultoras e Empreendedoras da BR-319”. Ela afirma que o coletivo é um meio de unir forças com outras mulheres que, além da insegurança jurídica em relação às suas casas, precisam enfrentar as dificuldades impostas pela precariedade e distância da rodovia.

Próximas etapas do Gente da 319

Com duração total prevista de 36 meses, a iniciativa começará a primeira etapa de sua execução a partir deste domingo (16/8), com mapeamento e diagnóstico territorial das comunidades Purupuru, Araçá, Igapó-Açu e Realidade. Esta fase tem previsão de seis meses de duração e contará com o suporte de engenheiros, técnicos e defensores públicos da Defensoria.

Após o mapeamento em toda a extensão da BR-319, o projeto avança para a segunda etapa, uma fase intensiva de atendimento e regularização, entre o sétimo e o vigésimo quarto mês, com ações de atendimento jurídico e social, coleta de documentos e mediação de conflitos.

Por fim, a terceira etapa será de consolidação territorial, até o trigésimo sexto mês, voltada à conclusão dos processos de regularização fundiária (REURB) e à entrega de um relatório fundiário completo ao Estado do Amazonas e às prefeituras envolvidas.

De acordo com o defensor público geral, Rafael Barbosa, a meta é atender cinco mil famílias, viabilizar a regularização de dois mil imóveis, realizar cinco ações itinerantes e três expedições por ano de execução, além de promover ao menos dez mediações de conflitos comunitários.

“Temos as etapas do projeto definidas, mas a maneira como vamos executar essas etapas ainda está em discussão e construção com a população. Quando o asfalto passar, a especulação imobiliária vai surgir e essas famílias vão precisar ter a segurança jurídica das suas casas. Diante desses desafios, iremos fazer nosso trabalho para garantir que todos tenham seus direitos garantidos”, destacou.

O Ramal Floresta será um dos pontos visitados na primeira etapa. Lá, David Lima, de 46 anos, vive com a esposa e os três filhos há mais de uma década. Atualmente, ele trabalha como agente comunitário de saúde e percorre os principais ramais e trechos da BR-319. Segundo David, a expectativa para as próximas etapas do projeto da Defensoria é grande.

“Essa visita vai ser muito importante, porque vai nos garantir nosso título lá na frente. Com o documento em mãos, vamos ganhar direitos, como acesso ao crédito, a empréstimo para melhorias dos nossos sítios. Esse projeto é ótimo, porque traz esperanças. Às vezes, nos falta conhecimento para entender certas questões e a Defensoria está nos explicando como vai funcionar tudo”, pontuou.

Parceria com universidades e órgãos públicos

Na primeira audiência pública, estiveram presentes representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb), do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), do Comando Militar da Amazônia (CMA), do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea), além da presidência das Câmaras de Beruri e Careiro.

Entre os que deram sua contribuição para o debate, o diretor do Centro de Ciências do Ambiente da Ufam, Prof. Dr. André Mendonça, destacou a importância de colocar a Academia no centro da discussão.

“Enquanto Universidade Federal do Amazonas, a gente entende que o trabalho da Defensoria em reunir a população junto aos entes e gestores das instituições que podem ajudar na regularização fundiária é essencial para que, juntos, possamos consolidar soluções. Temos um campus em Humaitá e temos nossas próprias vivências em relação à BR-319, então podemos trazer nossas contribuições para o debate”, pontuou.

Caminhos para a regularização fundiária

CDRU (Concessão de Direito Real de Uso): quando a terra está localizada em área ambiental e cabe à Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) emitir o documento;

Assentamento: título emitido pelo Incra para lotes de terra localizados em assentamentos da reforma agrária;

Cessão de uso: quando o proprietário do terreno transfere o direito de uso do local para outra pessoa, mas não cede o direito de propriedade;

Legitimação Fundiária: quando o título do terreno é entregue de forma definitiva ao morador que está ocupando a área, sem qualquer ligação com o proprietário anterior;

Usucapião: processo que pode ser feito do início ao fim pela Defensoria, que ocorre quando uma pessoa mora há anos em um terreno sem que o proprietário legal reconheça a posse, permitindo que o morador atual ganhe o direito ao título.

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