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Pesquisa da Eneva usa oleaginosas amazônicas para produzir diesel verde

Estudo de R$ 11,9 milhões avalia uso de buriti, açaí, cupuaçu, pupunha, patauá e piquiá na produção de combustível renovável.

Frutos emblemáticos da Amazônia, como buriti, açaí, cupuaçu, pupunha, patauá e piquiá, estão no centro de uma pesquisa científica inovadora. O objetivo principal do estudo é viabilizar a produção de diesel verde (HVO) — um combustível renovável quimicamente idêntico ao diesel de petróleo, mas com capacidade de reduzir drasticamente a emissão de gases poluentes na atmosfera.

O avanço dos estudos motivou a realização do workshop “Diesel Verde – Lançamento do Mapa do Hidrogênio de Baixo Carbono no Amazonas”, realizado nesta terça-feira (18).

Com investimento estimado em R$ 11,9 milhões, a iniciativa integra o Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&DI) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O projeto é liderado pela empresa Eneva, em parceria estratégica com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Essenz Soluções e Instituto Senai de Inovação.

Aplicação prática e transição energética

De acordo com o Coordenador de Relações Institucionais da Eneva para a Região Norte, Márcio Lira, o foco atual está em analisar o poder calorífico e energético das plantas e frutos regionais para transformá-los em combustível limpo através de processos químicos.

“A partir dessas plantas ou frutos, que potencialmente têm um poder calorífico e energético, podemos tratar quimicamente de tal forma a gerar o diesel. Esse combustível pode substituir, por exemplo, o diesel de rabeta, o diesel de empilhadeiras e de sistemas isolados de geração de energia no interior do Amazonas”, explicou Lira.

O gestor ressaltou que a iniciativa está em fase acadêmica e aplicada, exigindo intenso trabalho de campo e análises laboratoriais para consolidar os dados em artigos científicos. “O momento agora é de pesquisa para, no futuro, com esse potencial comprovado, aplicar na prática”, completou.

Hidrogênio de baixo carbono e impacto socioeconômico

Ao investigar o potencial das oleaginosas, a equipe técnica identificou também a necessidade de mapear insumos para a produção de hidrogênio de baixo carbono — elemento indispensável na síntese do diesel verde. Segundo Lira, essa frente de pesquisa possui ampla aplicabilidade para a indústria, o comércio e a geração de energia limpa no interior do estado.

Além da inovação tecnológica, o projeto tem um forte pilar de desenvolvimento regional e inclusão socioeconômica. O planejamento prevê um plano de desenvolvimento local com:

  • Mapeamento de agentes locais e imersão no ecossistema da região;
  • Treinamentos práticos e criação de novos modelos de negócios;
  • Promoção de workshops diretamente com as comunidades produtoras.

O objetivo final é transformar a sociobiodiversidade amazônica em valor concreto para as populações locais, unindo a conservação ambiental da floresta à geração de renda e sustentabilidade energética.

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