
A capital do Amazonas enfrenta um mês de agosto atipicamente seco e tórrido em 2026. Sem registrar uma gota de chuva até a manhã do dia 21, Manaus vive uma situação de estiagem excepcional, sem precedentes registrados desde a década de 1960. Embora o mês faça parte do chamado “verão amazônico” — período em que a média climatológica já é baixa, em torno de 56 mm —, a ausência total de precipitação acendeu o alerta sobre o impacto dos eventos climáticos extremos no estado.
A causa direta desse bloqueio e da drástica redução na umidade é o fortalecimento do fenômeno El Niño. Em desenvolvimento desde junho e com projeção de se tornar um dos mais intensos desde 1950, o aquecimento das águas do Pacífico altera a circulação dos ventos e inibe a formação de nuvens na Região Norte. Historicamente, os agostos mais secos registrados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) — como os de 1963, 1965, 1986, 2009 e 2015 — também ocorreram sob a influência do El Niño.
O contraste fica ainda mais evidente ao comparar o cenário atual com o de 2025, quando o mesmo mês acumulou 132,4 mm de chuva, figurando entre os dez agostos mais chuvosos da história recente da cidade.
Apesar de uma mudança nos ventos no último fim de semana ter voltado a trazer pancadas isoladas à região, o volume esperado até o fim do mês não deve ser suficiente para recuperar o déficit. Os modelos meteorológicos divergem sobre os acumulados até o dia 31: enquanto a simulação europeia (ECMWF) aponta até 25 mm, a norte-americana (GFS) prevê um total modesto de apenas 4 mm.
Com o céu limpo e pouca nebulosidade, o calor disparou. Os termômetros já bateram 37,3°C neste mês, superando com folga a média histórica para o período, que é de 33,6°C. Como o El Niño deve atingir o pico na primavera, a tendência é de que os meses de setembro e outubro continuem quentes e com volumes de chuva bem abaixo da média na capital amazonense.


