Criada em 2016, a FIVA chegou à sétima edição e se firmou como um espaço estratégico para negócios no setor na região Norte

Nos últimos dez anos, o mercado de vinhos no Brasil cresceu em ritmo acelerado, e a Feira Internacional de Vinhos na Amazônia (FIVA), criada em 2016, acompanhou e impulsionou essa trajetória na região Norte. Na sétima edição, realizada entre quinta (20) e sexta-feira (21) em Manaus, a FIVA reuniu vinícolas, importadoras e apreciadores em torno de cerca de 400 rótulos de marcas do Brasil, Portugal, Espanha, Chile, Itália e Argentina. Também ampliou a participação de alimentos, como massas, queijos, conservas e produtos amazônicos, com chefs e expositores apresentando harmonizações entre vinhos e gastronomia ao público.
De acordo com a organização do evento, o público que circulou pelos estandes da FIVA demonstrou um comportamento mais aberto e curioso em relação ao vinho, com interesse em experimentar novos rótulos e buscar informações sobre os produtos. Essa combinação entre um público mais exigente e um ambiente voltado para negociações, ainda de acordo com os organizadores, consolida a FIVA como um espaço estratégico.
A idealizadora e organizadora da FIVA, Gizelly Rebelo, avaliou o balanço da sétima edição como positivo e apontou a diversidade do público que compareceu ao evento. Para ela, a feira se consolidou como um espaço que vai além da degustação, reunindo diferentes perfis de participantes e ampliando o interesse pelo vinho na região. “Nosso propósito é promover uma celebração que conecta os diversos setores do mercado de vinhos. A FIVA consolidou-se como uma feira que reúne sommeliers, enólogos, enófilos, supermercados, donos de bares, restaurantes, panificadoras e o público em geral, um público que cresce a cada edição, movido pelo fascínio por essa bebida milenar, símbolo de tradição e qualidade. A edição deste ano superou todas as expectativas, registrando um balanço extremamente positivo e impulsionando significativamente a geração de novos negócios.”
André Ramos, também idealizador da FIVA e presidente da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) no Amazonas, destacou o papel estratégico do evento na geração de negócios diretos entre produtores e compradores. Segundo ele, a feira tem sido fundamental para desmistificar o consumo de vinhos na Amazônia, tradicionalmente considerada periférica nesse mercado. “Levamos compradores e gerentes dos principais supermercados para os dois dias de evento, proporcionando contato direto com os produtores presentes. Essa iniciativa fomenta negócios, fortalece a cadeia de distribuição e aumenta a oferta de rótulos nacionais e importados nos pontos de venda locais”, disse.
Entre os expositores estavam vinícolas centenárias e tradicionais do Brasil, como a Salton, fundada em 1910 e considerada a vinícola em atividade mais antiga do país. “Esta foi a primeira participação da Salton na feira FIVA, e ficamos muito satisfeitos com a receptividade aos nossos vinhos intensos, aos espumantes e, sobretudo, ao moscatel, atualmente o carro-chefe da marca e produto premiado internacionalmente. Percebemos um crescimento expressivo do público na região a cada ano, algo que se reflete diretamente em nossas vendas: o número de clientes aumenta ano após ano, confirmando o fortalecimento do consumo e do apreço pelo vinho”, afirmou o representante comercial da Salton em Manaus, Dale Carnegie.
Já o advogado Renato Almeida, visitante da FIVA, detalhou que o evento é uma oportunidade para ampliar o conhecimento sobre vinhos e descobrir novos rótulos todos os anos. Para ele, a experiência de apreciar e comprar diretamente na feira agrega valor ao repertório do consumidor. “É uma oportunidade valiosa para explorar uma grande diversidade de rótulos, degustar diferentes estilos, adquirir vinhos diretamente dos produtores e visitar vinícolas. Cada momento vivido na feira contribui para enriquecer nosso repertório e aprofundar o conhecimento sobre o universo dos vinhos.”
Espaço de negócios

Entre os representantes comerciais de diferentes setores presentes na feira, Eduardo dos Santos Souza, do Grupo Banzeiro e do restaurante Banzeiro, participou da FIVA com o objetivo de adquirir conhecimentos para aprimorar a harmonização entre pratos amazônicos e vinhos, avaliando que o evento tem cumprido seu papel de aproximar o público de novos rótulos e fomentar negócios na região. “Aqui na região Norte, a gente tem percebido que os vinhos têm vindo em uma crescente. Muitas pessoas estão não só degustando, mas também fechando negócios e parcerias. Aqui temos hoje grandes marcas de vinho, o que enaltece tanto as pessoas que estão aqui para fechar negócio quanto as que estão aqui para conhecer esse meio e entender como o evento se desenrola como um todo. É um ganho harmônico entre o evento e as pessoas que estão aqui para fechar negócio, degustar e apreciar”.
Sobre o potencial da gastronomia local, ressaltou que a diversidade de pratos amazônicos é um diferencial para a harmonização com diferentes tipos de vinho. “A nossa gastronomia, a gente costuma falar para quem trabalha nesse ramo, é um leque de opções. Associar vinhos com pratos regionais é uma coisa fantástica, além de ser nosso diferencial. Aqui no Amazonas, temos uma variedade de pratos que se associam tanto com vinho tinto, vinho branco quanto com vinho rosé. Temos muitas opções que atraem o público para apreciar mais. Uma coisa leva à outra. Na minha visão, isso traz um grande legado para o estado e, principalmente, para a culinária.”
O chef Francis Chagas, da Vetrina Di Itália , observou o crescimento do mercado de vinhos na região Norte nos últimos anos, com aumento do número de casas especializadas em Manaus e a ampliação da variedade de cartas de vinhos disponíveis ao público. “Esse mercado hoje, de algum tempo para cá, tem crescido cada vez mais. O cenário de vinhos na cidade deu um boom muito grande. Antigamente, você contava no dedo as casas especializadas em vinho. Hoje, onde você vai, tem um lugar com uma preocupação com uma carta de vinhos diferente da outra, com vinhos o tempo todo chegando novidades”, disse. “Um ambiente como esse é sempre um networking. Sempre digo que é expor o seu produto, trazer futuros clientes e, com certeza, futuros negócios”, completou.
Já o gerente regional da Adega Alentejana, Lourenço Pedrotti, salientou a importância da FIVA como o único do gênero na região Norte, tendo um papel fundamental ao apresentar novidades e tendências e ao aproximar o consumidor final dos vinhos disponíveis no mercado. “É muito importante porque você traz novidades, tendências e dá oportunidade ao consumidor de provar vinhos que, às vezes, no dia a dia, ele não prova.” Pedrotti ainda notou uma evolução no perfil do consumidor, que tem se tornado mais exigente. “Eu notei essa diferença da edição passada para esta atual. As pessoas estão mais seletivas, procuram vinhos de melhor qualidade, querem entender as diferenças de cada vinho”, acrescentou.
Harmonização

A harmonização entre vinhos e gastronomia é um dos pontos centrais da experiência da FIVA em 2026, em que a combinação entre vinhos e comida busca equilibrar e valorizar os sabores. Na feira, chefs e expositores demonstraram como essa integração entre os rótulos e a culinária regional pode ampliar o repertório do consumidor e tornar a experiência mais completa. A chef Letícia Barros, que conduziu degustações de massas e molhos da importadora Costazzurra, pontuou a proposta da feira. “A harmonização entre vinhos e gastronomia vai além de uma regra, é uma experiência sensorial. Precisamos criar combinações que despertem sabores, texturas e aromas. Cada taça e cada garfada foram pensadas para que o público sinta na prática como a comida e o vinho se potencializam. É isso que a gente quer transmitir: que a harmonização não é um bicho de sete cabeças, mas uma descoberta prazerosa, acessível e cheia de possibilidades.”
Antônio Bravo, embaixador de marcas da Qualimpor, sommelier e enólogo português, com mais de quatro décadas de experiência dedicadas ao vinho e à gastronomia, avaliou o mercado de vinhos na região Norte como promissor, detalhou que a gastronomia local, o clima e a crescente curiosidade do consumidor são fatores que favorecem a expansão do setor. “O mercado está em expansão e o estado e a região reúnem condições para que o consumo de vinho aumente. Primeiro, a gastronomia fantástica, única, que não existe em mais lugar nenhum. Depois, um clima que convida a tomar vinhos brancos, bem frescos, tipos mais leves, para harmonizar”.
Na visão de Bravo, a riqueza da gastronomia amazônica, aliada à crescente oferta de novos rótulos, configura um cenário propício para a ampliação do repertório de consumo do público. “Imagina chegar aqui e comer um pirarucu, que não se come em mais lugar nenhum, com toda essa gastronomia amazonense fantástica que é única, e ter uma variedade de vinhos para poder acompanhar”, finalizou.


