
A capital amazonense começa a desenhar, no território, uma nova etapa de expansão industrial. De janeiro a julho de 2026, a Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), licenciou mais de 212,8 mil metros quadrados em novos alvarás destinados a projetos industriais. O levantamento considera empreendimentos classificados do tipo industrial 1 ao tipo industrial 5, abrangendo diferentes portes e níveis de impacto urbano.
Entre os projetos aprovados no período estão empreendimentos com áreas que vão de 775 metros quadrados a 44 mil metros quadrados, demonstrando que o movimento não se concentra em um único perfil de fábrica. O conjunto de licenciamentos evidencia a existência de demanda por novos espaços produtivos e coloca o planejamento urbanístico territorial como uma etapa estratégica para o desenvolvimento econômico da capital.
Para o diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto, os números precisam ser compreendidos dentro de um cenário mais amplo: a cidade precisa estar preparada para receber investimentos, mas com planejamento urbano, segurança jurídica e infraestrutura compatível com a atividade industrial.
“Manaus precisa estar preparada para receber novos investimentos. Quando temos mais de 212 mil metros quadrados de novos projetos industriais licenciados em apenas sete meses, estamos falando de uma demanda concreta pelo território da cidade. O papel do município é antecipar esse movimento, organizar o espaço urbano, desburocratizar serviços e criar condições para que o desenvolvimento econômico aconteça com segurança, planejamento e infraestrutura”, comentou.
Licenciamento e expansão caminham juntos
O volume de novos projetos industriais licenciados ocorre enquanto a Prefeitura de Manaus, por meio do Implurb, avança em estudos técnicos para identificar e estruturar novas áreas de expansão industrial. As discussões, iniciadas em 2025 em conjunto com órgãos municipais e Suframa, avaliam zoneamento, infraestrutura, ocupação territorial e possibilidades de ampliação dos espaços destinados a empreendimentos de maior porte.
O trabalho considera, especialmente, eixos da BR-174 e da AM-010, áreas da zona Leste e ramais próximos ao Distrito Industrial, regiões apontadas como estratégicas para uma futura expansão econômica. A preocupação é antecipar a necessidade de território antes que a pressão por novas áreas se transforme em ocupação desordenada.
“Não estamos falando apenas de encontrar um terreno para colocar uma fábrica. Estamos falando de planejar onde essa indústria vai estar, como os trabalhadores vão chegar, qual infraestrutura será necessária e como essa nova ocupação vai se integrar à cidade”, explicou Peixoto.
Segundo ele, a expansão precisa ser acompanhada de uma visão urbana mais ampla, incorporando habitação, serviços, mobilidade e equipamentos públicos. “Se você leva atividade econômica e trabalhadores para uma região, precisa pensar em moradia, escolas, creches, saúde, comércio, transporte e infraestrutura. Desenvolvimento econômico e desenvolvimento urbano precisam caminhar juntos”, afirma.
Novas indústrias
A estratégia municipal ganha ainda mais relevância diante das transformações previstas para a economia de Manaus e da necessidade de fortalecer a competitividade do polo industrial. Diante do cenário, o prefeito Renato Junior apresentou a proposta de criar a primeira Secretaria Municipal de Desburocratização Industrial.
Anunciada durante reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS), em 14 de agosto, a estrutura terá como objetivo criar um canal específico para facilitar a relação entre empresas interessadas em se instalar na capital e a administração municipal.
“Quero que a indústria que olhar para Manaus encontre na prefeitura um município preparado para receber investimento, com informação precisa, orientação e capacidade de conduzir os processos. A cidade precisa deixar de apenas reagir ao crescimento e passar a se preparar para ele”, afirmou o prefeito, ao anunciar a proposta de criação da secretaria.
Na oportunidade, o chefe do Executivo municipal também defendeu uma atuação integrada entre prefeitura, Suframa, governo do Estado e governo federal para enfrentar os gargalos de infraestrutura que impactam diretamente trabalhadores e empresas do Distrito Industrial. Por isso, o planejamento de novas áreas industriais precisa ocorrer de forma antecipada e articulada.
“O que estamos fazendo é preparar Manaus para o próximo ciclo. Os projetos industriais já estão chegando e os números do licenciamento mostram isso. Agora, precisamos garantir que a cidade tenha território adequado, regras claras e planejamento para receber esses empreendimentos. É assim que o município assume seu papel de indutor do desenvolvimento econômico, sem abrir mão do ordenamento urbano”, ressaltou.


