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Grupo armado vindo da Colômbia ameaçam comunidades indígenas e restringem circulação no Amazonas

Denúncias apontam presença de estrangeiros no Baixo Uaupés; MPF pediu reforço das Forças Armadas e fiscalização da fronteira

Membros do Exército de Libertação Nacional da Colômbia na selva Amazônica possivelmente estariam entrando em território brasileiro por São Gabriel da Cachoeira foto Getty Imagens

Comunidades indígenas de São Gabriel da Cachoeira, no extremo noroeste do Amazonas, denunciaram a presença de homens armados supostamente vindos da Colômbia em território brasileiro. Segundo os relatos encaminhados às autoridades, o grupo estaria intimidando moradores, restringindo o acesso às plantações e provocando o deslocamento de famílias para localidades consideradas mais seguras. Neste domingo (30), o deputado federal e candidato a senador pelo Amazonas, Capitão Alberto Neto (PL), denunciou a invasão de guerrilheiros e cobrou o governo federal.

As denúncias foram apresentadas pela Coordenadoria das Organizações Indígenas do Tiquié, Uaupés e Afluentes, vinculada à Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn). Em ofício encaminhado às autoridades em 17 de agosto, a entidade solicitou providências urgentes diante dos avistamentos e das ameaças registradas nas proximidades das comunidades e dos roçados.

De acordo com o documento, os homens armados – possivelmente do grupo guerrilheiro Exército de Libertação Nacional – estariam procurando comunidades para comprar ou trocar alimentos. Moradores que tentaram chegar às plantações teriam sido abordados, ameaçados com armas de fogo e impedidos de circular livremente pelo território.

A restrição de acesso aos roçados preocupa as comunidades porque compromete a segurança alimentar. As famílias dependem da agricultura de subsistência para obter mandioca, frutas e outros produtos essenciais para a alimentação.

Os relatos indicam que os avistamentos se tornaram frequentes a partir de 15 de agosto. Entre as localidades mencionadas estão Rio Castanho, Cachoeira Comprida, Cunurí, São Filipe e Morro de Beija-Flor. Moradores das duas últimas comunidades teriam deixado suas casas e seguido para o distrito de Pari Cachoeira.

Equipamentos de comunicação desligados

Segundo os indígenas, os homens armados também teriam determinado o desligamento de equipamentos de comunicação, incluindo terminais de internet por satélite. A interrupção teria dificultado o contato com comunidades isoladas e aumentado a preocupação das organizações indígenas diante da falta de informações.

Outro episódio relatado envolve uma liderança da comunidade Cunurí, no Baixo Uaupés. Conforme a denúncia encaminhada às autoridades, o indígena teria sido levado pelo grupo armado e obrigado a servir como guia durante o deslocamento até a comunidade Rio Castanho.

A liderança teria retornado cinco dias depois. Ao chegar, segundo os relatos, afirmou aos demais moradores que os estrangeiros não representavam perigo. A mudança de postura, porém, despertou suspeitas entre os moradores, que temem que ele possa ter sofrido ameaças ou esteja evitando relatar o que ocorreu por medo de represálias.

Também há informações sobre o desaparecimento de embarcações utilizadas pelas comunidades. O caso ainda deverá ser verificado pelas autoridades responsáveis pelas investigações.

MPF pede reforço na fronteira

Diante das denúncias, o Ministério Público Federal no Amazonas instaurou um inquérito civil para apurar a situação. Em 19 de agosto, o órgão encaminhou uma recomendação urgente aos comandos do Exército, da Marinha e da Força Aérea Brasileira, além da Superintendência da Polícia Federal no Amazonas.

O MPF solicitou o reforço do patrulhamento, a fiscalização da faixa de fronteira e a adoção de medidas para proteger as comunidades indígenas. Os órgãos receberam prazo de 48 horas para informar as providências adotadas.

Parte das diligências permanece sob sigilo, segundo o MPF, para evitar prejuízos às investigações e a eventuais operações na região.

As organizações indígenas também reivindicaram o envio de tropas especializadas em operações na selva para as calhas dos rios Tiquié e Baixo Uaupés, além da instalação de um ponto permanente de fiscalização. Outra solicitação é a atuação coordenada das Forças Armadas, da Polícia Federal e do MPF na apuração das denúncias relacionadas à fronteira e aos direitos das comunidades.

Lideranças locais estimam que o grupo armado possa reunir cerca de 2 mil homens. O número, contudo, ainda não foi confirmado de forma independente pelas autoridades brasileiras. Até o momento, também não há identificação oficial da organização armada à qual os estrangeiros pertenceriam.

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