Realizadas pelo Projeto Lagos Sentinelas da Amazônia, as Oficinas Pré-Seca reuniram mais de 90 lideranças de 43 comunidades da Floresta Nacional de Tefé e Lago de Tefé, no Amazonas.

Lideranças comunitárias da Floresta Nacional de Tefé (Flona de Tefé) e pesquisadores do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá reuniram-se nas comunidades Tauary e Bom Jesus da Ponta da Castanha para realizar as Oficinas Pré-Seca. O evento contou com a participação de mais de 90 representantes de 43 comunidades distribuídas ao longo do Lago de Tefé e dos rios Tefé, Bauana e Curumitá.
A iniciativa integra as ações do Projeto Lagos Sentinelas da Amazônia, criado em resposta aos severos impactos sociais e ecológicos provocados pelas secas extremas de 2023 e 2024. O objetivo central dos encontros foi ouvir os relatos das populações ribeirinhas e utilizar seus conhecimentos para elaborar propostas concretas de prevenção e combate aos efeitos da estiagem prolongada.
Durante os trabalhos, os moradores relataram dificuldades críticas enfrentadas em secas anteriores, como o isolamento geográfico, o desabastecimento de alimentos e o acesso severamente limitado a serviços essenciais de saúde e água potável. Como encaminhamento prático, as propostas aprovadas nos encontros darão origem a documentos de orientação que recomendam:
- Sinalização de rotas de navegação: Melhorias na sinalização do Lago de Tefé para garantir a trafegabilidade de embarcações em períodos de vazante baixa;
- Infraestrutura e saúde: Investimentos no atendimento básico de saúde das populações isoladas;
- Logística humanitária: Aprimoramento no fluxo de distribuição de cestas básicas durante toda a duração da estiagem;
- Energia renovável: Instalação de sistemas fotovoltaicos (energia solar) para assegurar o funcionamento contínuo das bombas de captação de água.
Além das demandas estruturais, o encontro promoveu a troca de indicadores climáticos tradicionais. Moradores compartilharam observações da fauna e flora que sinalizam a chegada da estiagem, como a concentração excessiva de borboletas na descida dos rios, a movimentação da ave corta-água a favor da correnteza e o deslocamento do boto tucuxi.
O Projeto Lagos Sentinelas da Amazônia envolve 69 pesquisadores, 200 comunitários e 15 instituições nacionais e internacionais. A iniciativa monitora continuamente cinco ecossistemas lacustres fundamentais na região: os lagos de Tefé, Coari, Janauacá e Serpa, no Amazonas, e o Lago Grande de Monte Alegre, no Pará.


