
A Fundação do Estado do Amazonas (Amazonprev), responsável pela gestão dos benefícios previdenciários dos servidores públicos inativos e pensionistas do Estado, foi citada na terceira proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo a denúncia obtida pelo portal UOL, o Banco Master teria repassado comissões indevidas a lideranças do partido União Brasil em troca do direcionamento de recursos de fundos estaduais de previdência para a instituição financeira.
No caso do Amazonas, o documento aponta que a Amazonprev autorizou um repasse de R$ 50 milhões ao Banco Master. Aoperação ocorreu sob a gestão de um presidente que havia tomado posse apenas 28 dias antes do aporte e que atuou anteriormente como contador da campanha de reeleição do governador Wilson Lima (União Brasil).
De acordo com o relato do ex-banqueiro, os dirigentes nacionais do União Brasil, ACM Neto e Antônio Rueda, atuavam na intermediação dos aportes com os institutos estaduais. Em contrapartida, demandavam uma taxa de 10% sobre o total investido — ou 1% ao ano enquanto o montante permanecesse na instituição. No total, a articulação do grupo com órgãos públicos e companhias estaduais como a Cedae (RJ) e fundos no Rio de Janeiro e Amapá teria garantido ao Master uma captação de R$ 2 bilhões, gerando um compromisso de R$ 200 milhões em comissões negociadas com os políticos.
Apesar das revelações e do envio de comprovantes de reuniões, mensagens e contratos, as propostas de delação de Vorcaro foram recusadas pela PF e pela PGR. As autoridades alegaram a ausência de informações inéditas e a falta de garantias concretas para o ressarcimento dos valores decorrentes das supostas fraudes.
Outro Lado
Em manifestação oficial, Antônio Rueda afirmou ter dificuldades em se pronunciar sobre documentos dos quais não teve acesso formal e negou categoricamente a prática de qualquer irregularidade. ACM Neto classificou as acusações como “absurdas, completamente fantasiosas e mentirosas”. Já a defesa de ex-sócios do banqueiro citados nas trocas de mensagens informou que não comentará o caso, definindo os relatos publicados pela imprensa como “um verdadeiro absurdo”.


