Em um raio de cinco quilômetros da rodovia, a extensão da malha de estradas clandestinas cresceu 70% entre 2020 e 2025, segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

A discussão em torno da pavimentação da BR-319, rodovia que une Manaus a Porto Velho ao longo de mais de 850 quilômetros, coloca em evidência a busca por um equilíbrio decisivo entre o desenvolvimento socioeconômico da Amazônia e a conservação ambiental. Única via de ligação terrestre entre a capital amazonense e o restante do Brasil, a estrada desempenha um papel estratégico na integração regional e no abastecimento local.
Para a população e o setor produtivo do Amazonas, a trafegabilidade plena da rodovia representa o fim do isolamento rodoviário. A garantia de um trânsito regular ao longo de todo o ano impacta diretamente o custo de transporte de mercadorias, a eficiência do escoamento industrial e o acesso de milhares de cidadãos a serviços básicos de saúde, educação e logística.
Diante dos desafios de conservação no entorno da via, as diretrizes defendidas pelo governo federal apontam para a execução das obras sob rigorosos critérios ambientais. O objetivo central é aliar a infraestrutura de transporte ao fortalecimento do monitoramento de estradas secundárias e ao combate a ilícitos na região.
A estruturação definitiva da BR-319 consolida-se, assim, como uma demanda histórica para a mobilidade do Norte do país, associando a modernização do tráfego à presença ostensiva do Estado para o controle e a segurança territorial.
Fronteira do agro
Entre 2020 e 2025, a área ocupada pela agropecuária passou de 81,3 mil hectares para 118 mil no raio de cinco quilômetros da via, alta de 45%. Já o território de vegetação nativa passou de 765,3 mil hectares para 728 mil no período, uma queda de 4,9%. Os dados são do MapBiomas, iniciativa que monitora as transformações do território por imagens de satélite e informações ambientais.
A via teve a obra iniciada em 1968 como símbolo de desenvolvimento na ditadura. Foi inaugurada em 1976, mas já estava intransitável uma década depois, diante da deterioração pelo abandono.


