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Rio Negro recua 1,04 metro em sete dias, mas permanece dentro do esperado em Manaus

Recuo generalizado atinge bacias do Amazonas e Solimões; municípios da região já decretam emergência enquanto especialistas apontam soluções urgentes contra o isolamento comunitário.

O nível do rio Negro registrou uma queda de 1,04 metro ao longo de uma única semana em Manaus, de acordo com o 37º Boletim do Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas, divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). A taxa de retração na capital gira em torno de 15 centímetros diários.

Apesar da velocidade da descida, o volume do rio Negro na capital amazonense segue dentro do padrão esperado para esta época do ano, oscilando ligeiramente abaixo da mediana histórica.

Recuo generalizado nas bacias do Negro, Solimões e Amazonas

A vazante se espalha por diferentes trechos da bacia do rio Negro:

  • São Gabriel da Cachoeira: retração de 40 centímetros na semana.
  • Tapuruquara: queda de 54 centímetros.
  • Barcelos: redução de 33 centímetros.

A tendência de baixa também afeta o rio Solimões. Na última semana, Manacapuru encolheu 1,11 metro e Itapéua (Coari) baixou 1,08 metro. Em Tabatinga e Fonte Boa, o nível caiu 78 cm e 18 cm, respectivamente.

Na calha do rio Amazonas, todas as estações de monitoramento registraram descida nos volumes: Careiro (-1,08 m), Parintins (-68 cm) e Itacoatiara (-25 cm). O declínio avançou ainda pelo território paraense, com quedas em Óbidos (-41 cm) e Santarém (-31 cm).

Na bacia do Purus, o município de Beruri registrou uma das retração mais acentuadas do período, encolhendo 1,20 metro. O cenário discrepante ocorreu em Rio Branco (AC), onde o nível subiu 51 centímetros. No rio Madeira, Porto Velho (RO) teve retração de 37 centímetros, enquanto Humaitá manteve estabilidade.

O boletim alerta para o ritmo do rio Branco: em Boa Vista (RR), a descida de 22 centímetros manteve o leito abaixo das mínimas históricas para o período. Em Caracaraí (RR), a queda foi de 26 centímetros.

Emergência no interior e os impactos da estiagem

Apesar de a calha central ainda manter níveis toleráveis, o recuo acelerado dos rios já coloca municípios do interior do Amazonas em estado de alerta e crise extrema. Localidades como Benjamin Constant, Atalaia do Norte, São Paulo de Olivença, Humaitá e Novo Aripuanã entraram em situação de emergência.

A escassez de água compromete a navegação de barcos de grande porte, isola comunidades ribeirinhas e indígenas, encarece alimentos e dificulta o acesso a serviços essenciais como saúde e educação.

Medidas e ações para conter a crise hídrica

Para mitigar os impactos da estiagem severa e evitar o desabastecimento nas regiões mais atingidas, especialistas e órgãos governamentais apontam um conjunto de ações preventivas e estruturais:

  1. Plano de Logística e Dragagem Emergencial: Realizar a dragagem de trechos críticos de rios estratégicos (como o Solimões e o Madeira) para garantir a navegabilidade de balsas com suprimentos, combustíveis e insumos básicos.
  2. Distribuição de Água Potável e Insumos: Montagem de forças-tarefa para enviar purificadores de água, poços artesianos comunitários e cestas básicas para vilas e aldeias isoladas.
  3. Rebaixamento de Bombas de Captação: Instalação de estruturas flutuantes e rebaixamento de bombas de água nas estações de tratamento para assegurar o abastecimento urbano mesmo com a retração dos leitos dos rios.
  4. Assistência Médico-Humanitária Móvel: Envio de Unidades Básicas de Saúde (UBS) fluviais e apoio aéreo para remoções de emergência em comunidades retidas pela seca.
  5. Combate ao Desmatamento e Queimadas: Ações rígidas de fiscalização para coibir focos de incêndio que agravam a qualidade do ar durante o período de estiagem.

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