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Obesidade triplica no Brasil; 1,5 milhão de amazonenses adultos estão acima do peso

Um estudo publicado na revista Lancet, integrante da série Carga Global de Doenças (GBD), nesta sexta-feira (25), revela um cenário preocupante: a prevalência de obesidade em adultos brasileiros com 25 anos ou mais triplicou entre 1990 e 2023, saltando de 7,8% para 27,7%. Somando os dados de sobrepeso e obesidade, a taxa de excesso de peso no país atingiu 66,8% — o que significa que dois em cada três brasileiros estão acima do peso ideal. Esse avanço colocou o Brasil na liderança do crescimento do problema na América Latina, ao lado da Colômbia.

O avanço do excesso de peso não se limita à média nacional e reflete-se de forma direta no estado do Amazonas. Segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, mais de 60% dos adultos acompanhados na Atenção Primária no Amazonas apresentam excesso de peso (soma de sobrepeso e obesidade), alinhando-se à tendência do restante do país.

Em termos absolutos, estimativas de vigilância populacional indicam que mais de 1,5 milhão de amazonenses adultos estão acima do peso ideal. Em Manaus, dados do Vigitel apontam que mais da metade da população adulta da capital vive com sobrepeso, e cerca de 20% a 24% já se encontram na faixa da obesidade, revelando que a transição nutricional atingiu fortemente o estado.

A nutricionista e pesquisadora Deborah Carvalho Malta (UFMG) aponta que essa disparada reflete uma transição nutricional: o país reduziu a desnutrição, mas a qualidade da alimentação piorou significativamente com o consumo crescente de produtos ultraprocessados, ricos em açúcares, sódio e gorduras, além da queda no consumo de itens tradicionais como o feijão. O aumento do sedentarismo e a alta exposição às telas agravam o quadro.

A realidade do excesso de peso no Amazonas

No Amazonas, o impacto da transição nutricional reflete desafios específicos da região Norte:

  • Mudança no padrão alimentar urbano e ribeirinho: Embora o estado mantenha pratos e ingredientes tradicionais ricos em nutrientes (como peixes regionais e mandioca), a penetração de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas cresceu fortemente, impulsionada pela praticidade, baixo custo e facilidade de armazenamento em áreas de difícil acesso logístico.
  • Redução no consumo da biodiversidade local: Alimentos in natura de alto valor nutricional vêm perdendo espaço nas áreas urbanas e periféricas de Manaus para produtos industrializados de preparo rápido.
  • Índices de sobrepeso em Manaus: Levantamentos de vigilância de fatores de risco (como o Vigitel) indicam que mais da metade da população adulta da capital amazonense já se encontra na faixa de excesso de peso, acompanhando a tendência de crescimento nacional.
  • Sedentarismo urbano: O crescimento acelerado da capital e as limitações de espaços públicos adequados e seguros para a prática de atividades físicas contribuem para baixos níveis de exercício regular entre os moradores das áreas urbanizadas.

Especialistas reforçam a necessidade urgência de políticas públicas voltadas à taxação de ultraprocessados, incentivo à produção local de alimentos saudáveis da sociobiodiversidade amazônica e ampliação de espaços para a prática de exercícios, visando combater doenças crônicas como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares.

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