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El Niño pressiona Floresta Amazônica enquanto chuvas aliviam qualidade do ar em Manaus

A combinação entre o avanço da estação seca e os efeitos do fenômeno El Niño tem imposto uma severa pressão sobre a Floresta Amazônica, enquanto a capital, Manaus, registra um alívio pontual e temporário na poluição do ar após chuvas recentes, neste sábado (26). O cenário integra dados do monitoramento ambiental contínuo feito tanto no coração da mata preservada quanto nos centros urbanos do Amazonas.

Impactos do El Niño na Floresta Preservada

Pesquisadores da área de micrometeorologia do Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO) vêm acompanhando cinco indicadores fundamentais por meio de instrumentos acoplados à sua torre de 325 metros de altura: precipitação, temperatura do ar, umidade relativa do ar, temperatura do solo e teor de água na terra. A infraestrutura está localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, a cerca de 150 km a nordeste de Manaus.

Os relatórios semanais de acompanhamento apontam anomalias extremas em relação à média histórica dos últimos 14 anos:

  • Temperatura do ar: A anomalia subiu de 1,7 °C em julho para 2,1 °C em agosto, alcançando 2,4 °C até meados de setembro.
  • Precipitação: Registrou queda de 73% em julho (apenas 21 mm contra a média de 92 mm) e de 36,6% em agosto (21 mm contra 58 mm). Em setembro, acumularam-se apenas 2 mm até meados do mês — uma redução de quase 66%.
  • Umidade relativa do ar: Apresentou queda de 10,3% em agosto e 14,6% em setembro, caindo para níveis abaixo de 65%.
  • Condições do solo: A temperatura do solo permanece acima da média desde janeiro, com elevação de 1,5 °C em julho e 1,2 °C em agosto e setembro. A umidade na camada superficial (até 10 cm) também se mantém severamente baixa.

De acordo com o pesquisador Cléo Quaresma, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), essas alterações acendem o alerta para a proximidade de um tipping point (ponto de virada). Ultrapassar esse limiar crítico pode alterar profundamente trocas de carbono e água entre a floresta e a atmosfera, comprometendo a capacidade da Amazônia de regular o clima regional e reciclar água.

Chuvas trazem alívio temporário para a qualidade do ar em Manaus

Na capital, a precipitação que atingiu a região reduziu a densa camada de fumaça oriunda de queimadas que cobria a cidade. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), indicaram uma melhora perceptível no nível de material particulado fino (PM2,5).

Após atingir níveis críticos no meio da semana — quando a média municipal chegou a 188,5 µg/m³ na quarta-feira e a estação do Distrito Industrial marcou pico de 587,9 µg/m³ —, a qualidade do ar passou a oscilar predominantemente entre as faixas boa (até 25 µg/m³) e moderada (entre 25 e 50 µg/m³).

ClassificaçãoConcentração de Partículas (PM2,5)Situação Observada na Capital
BoaAté 25,0 µg/m³Registrada em pontos isolados (mínima de 12,7 µg/m³).
Moderada25,1 µg/m³ a 50,0 µg/m³Predominante na maior parte dos sensores urbanos.
RuimAcima de 50,0 µg/m³Identificada na zona Centro-Sul de Manaus (65,5 µg/m³).

Embora as chuvas tenham dissipado parte da fuligem, a variação dos ventos e o fogo contínuo nas regiões metropolitanas e no leste do Amazonas mantêm a qualidade do ar instável, reforçando que o alívio urbano depende diretamente da recuperação climática em toda a bacia amazônica.

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