
Dados do IBGE revelam que, embora o Amazonas abrigue cerca de 268 mil pessoas com deficiência — o equivalente a 7% da população a partir de 2 anos —, esse grupo enfrenta barreiras profundas no acesso ao trabalho, à renda, à educação e às políticas públicas municipais.
Desigualdades no Mercado e na Renda
A participação no mercado de trabalho reflete com clareza esse abismo social. Entre os cidadãos amazonenses de 14 anos ou mais com deficiência, apenas 35,8% estavam ocupados em 2022, frente a 47,5% da população sem deficiência. Além disso, menos da metade dos trabalhadores com deficiência (46,2%) contribuía para a Previdência Social.
A desvantagem se estende ao rendimento das famílias. Nos domicílios com pelo menos um morador com deficiência, o rendimento médio total de R$ 3.341 era menor que o de lares sem pessoas com deficiência (R$ 3.605). O tipo de receita também muda drasticamente:
- Lares com PCDs: 65,2% da renda vem do trabalho e 34,8% de outras fontes (como benefícios sociais).
- Lares sem PCDs: 79,4% da renda vem do trabalho e 20,6% de outras fontes.
Na análise por cor ou raça, a disparidade se acentua no rendimento domiciliar per capita: enquanto a média para pessoas com deficiência brancas era de R$ 1.256, para pretas e pardas juntas ficava em R$ 906.
Barreiras na Infraestrutura Escolar
O gargalo na inclusão começa cedo. Em 2025, de um total de 5.562 escolas de educação básica no estado, menos da metade tinha estrutura adaptada:
| Indicador Escolar | Rede Pública (AM) | Rede Privada (AM) | Média Nacional |
| Recursos de Acessibilidade | 37,5% | 95,3% | 78,5% |
| Banheiros Acessíveis | 19,9% | 75,5% | 57,0% |
| Salas de Recursos Multifuncionais (AEE) | 15,6% | 22,3% | — |
No ensino superior, o cenário de inclusão profissional é ainda mais crítico: das 5.150 vagas de docentes em exercício no Amazonas em 2024, apenas 10 eram ocupadas por pessoas com deficiência.
Estrutura Pública e Desafios Municipais
Embora 44 dos 62 municípios amazonenses declarem possuir alguma política voltada aos direitos desse público — com foco expressivo na inclusão escolar (40 municípios) —, as garantias legais e financeiras continuam concentradas.
Apenas dois municípios no Amazonas mantinham, simultaneamente, um Fundo Municipal específico e um órgão de gestão responsável para pessoas com deficiência. Contudo, por incluir a capital, esses dois municípios concentram 56,8% da população com deficiência do estado.
Em termos de mobilidade e gestão democrática:
- Legislação de espaço público: Apenas 6 municípios têm leis específicas para adaptar espaços públicos.
- Passe livre: Somente 3 municípios dispõem de legislação para gratuidade no transporte coletivo.
- Conselhos Ativos: O estado registrava apenas 7 Conselhos Municipais dos Direitos da Pessoa com Deficiência em pleno funcionamento em 2023, uma queda em relação a 2019, quando havia 9 órgãos ativos.
Os dados, consolidados no estudo “Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil”, evidenciam que, apesar do avanço pontual nas maiores cidades, a acessibilidade plena e a autonomia financeira continuam distantes da realidade da maioria das pessoas com deficiência no Amazonas.


