Seca dos rios ameaça usinas termelétricas e municípios do Amazonas podem ficar sem energia. Empresas pedem antecipação de mais de R$ 100 milhões para compra de diesel antes do período mais crítico da estiagem.

A vazante severa que atinge as calhas hidrográficas do estado do Amazonas já acendeu o sinal de alerta entre as concessionárias de energia elétrica. Diante da diminuição rápida dos níveis dos rios, empresas responsáveis pelo fornecimento de energia em municípios dependentes de usinas termelétricas a óleo diesel tentam antecipar a compra do combustível para evitar o risco de apagões durante o pico da estiagem.
Com o avanço do período crítico de seca, o Governo do Estado decretou situação de emergência em todos os 62 municípios e projeta que até 648 mil pessoas possam ser diretamente afetadas pela falta de insumos, água potável e dificuldades na navegação. Nas localidades banhadas pelo Rio Amazonas e seus principais afluentes, a acentuada redução das águas já impõe restrições logísticas no calado dos rios, isolando comunidades ribeirinhas e dificultando a passagem de embarcações de grande porte.
Antecipação de recursos para garantir o combustível
Para assegurar o estoque de diesel antes do período mais severo da estiagem — previsto para os meses de outubro e novembro —, as geradoras de energia VP Flexgen e Powertech formalizaram pedidos de antecipação de recursos que somam R$ 103,5 milhões. O montante destina-se à compra emergencial de cerca de 17 milhões de litros de combustível.
A VP Flexgen, operadora de usinas termelétricas nos municípios de Humaitá, Nova Olinda do Norte, Borba, São Gabriel da Cachoeira e Autazes, solicitou a liberação de R$ 71,3 milhões para adquirir 12,9 milhões de litros de diesel. O pleito foi apresentado inicialmente em junho e reforçado em setembro. Já a Powertech pleiteou verbas para a compra de 4,2 milhões de litros.
A maior preocupação das distribuidoras reside na logística de transporte fluvial. Com a baixa acentuada nos leitos dos rios, o calado e a capacidade de movimentação das balsas ficam severamente comprometidos, tornando o transporte de grandes volumes de combustível inviável ou extremamente lento nos meses de seca profunda.
Os dados e os requerimentos das geradoras foram divulgados inicialmente pela Folha de S.Paulo. Os pedidos de liberação antecipada de recursos seguem sob análise da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que ainda não emitiu uma decisão final sobre a aprovação dos valores.
Impacto da Seca e Risco de Desabastecimento de Combustível

Operação nos Sistemas Isolados: A maior parte do interior do Amazonas (56 dos 62 municípios) não é interligada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e depende diretamente de usinas termelétricas locais movidas a óleo diesel e gás natural.
Logística do Diesel: A severa redução do nível dos rios durante a estiagem tem dificultado a navegação de balsas que transportam combustível para essas usinas.
Medidas Preventivas: A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e geradoras locais (como VP Flexgen e Powertech) atuam em planos emergenciais e na antecipação de repasses de recursos para criar estoques de segurança de diesel antes que a calha dos rios inviabilize completamente o transporte em cidades como Humaitá, Borba, Autazes, Nova Olinda do Norte e São Gabriel da Cachoeira.


